Foto: Arquivo/Aprosoja
A safra 2024/2025 marca um ponto de maturidade do agro no Acre: a soja se firma como âncora do sistema produtivo, o milho amplia a segunda safra e os fluxos comerciais — tanto interestaduais quanto transfronteiriços — ganham corpo.
O movimento acontece sob um regime climático distinto do ciclo anterior, com chuva acumulada muito acima do padrão no 1º quadrimestre (picos em fevereiro e abril) e temperaturas médias mais amenas, combinação que favoreceu fases críticas de enchimento de grãos, mas elevou pressão de doenças e dificultou janelas de colheita e plantio.
Os dados integram o Boletim de Grãos do Acre – Safra 2024/2025, elaborado pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Acre (Faeac), por meio de seu Departamento Técnico, que apresenta uma leitura detalhada sobre o desempenho das lavouras e o peso crescente do estado no comércio de grãos.
A soja cresceu 6,1% e alcançou 64,3 mil toneladas graças à expansão de área para 18,6 mil hectares, mantendo produtividade tecnicamente elevada em 3.459 kg/ha — um desempenho que sinaliza resiliência mesmo com umidade excessiva no fim do ciclo.
No comércio exterior, as exportações de soja originárias do Acre deram um salto no primeiro semestre de 2025: o volume médio mensal passou de 75,69 t (1ºS/2024) para 127 t (1ºS/2025), alta de 69,1%, com receita total subindo 55,6% (de US$ 28,3 mil para US$ 44,0 mil).
Todo o volume tem origem em Brasiléia e destino no Peru, rota explicada por proximidade e logística. Ao mesmo tempo, o preço médio da saca de 60 kg recuou 8%, de US$ 22,40 para US$ 20,61, pressionado por oferta global, câmbio e concorrência — quadro mitigado pelo ganho de volume.
No escoamento interestadual, a soja do Acre mais que dobrou de valor declarado entre janeiro e junho: R$ 53,8 milhões em 2025, contra R$ 25,0 milhões em 2024 (+114,7%), com concentração em março e abril (mais de R$ 42 milhões no bimestre) e pico de R$ 24,4 milhões em abril de 2025.
A microrregião do Baixo Acre lidera, com Rio Branco saltando de R$ 5,43 milhões para R$ 19,39 milhões; Senador Guiomard foi de R$ 10,89 milhões para R$ 15,31 milhões; e Porto Acre entrou no mapa com R$ 5,91 milhões após não registrar saídas em 2024. Os destinos confirmam Rondônia como hub — R$ 50,9 milhões no 1º semestre — alavancado pela presença de grandes tradings.
