Rio Branco, Acre - terça-feira, 21 abril, 2026

Fiocruz alerta para avanço de síndromes gripais e aponta risco de aumento de casos em vários estados

Foto: Reprodução 

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Levantamento divulgado pelo boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), indica que grande parte do país permanece em situação de atenção em relação às síndromes respiratórias. De acordo com o estudo, 18 estados brasileiros e o Distrito Federal estão atualmente classificados em nível de alerta, risco ou alto risco para a ocorrência de casos graves de doenças respiratórias.

Segundo a análise, em 13 dessas unidades da federação a tendência é de crescimento no número de casos nas próximas semanas. Entre os estados que já apresentam cenário preocupante estão Mato Grosso e Maranhão, onde o avanço das infecções tem sido mais expressivo. Outros estados, como Acre, Tocantins, Bahia e Pernambuco, também figuram no nível de risco e podem registrar agravamento da situação caso o aumento das ocorrências se confirme.

Apesar do quadro de alerta em várias regiões, a tendência nacional observada pelos pesquisadores aponta para estabilidade no longo prazo. Em algumas localidades, inclusive, já há sinais de interrupção no crescimento dos casos e até mesmo redução das infecções provocadas por determinados vírus respiratórios.

Os dados mais recentes mostram que a maior parte das ocorrências confirmadas está relacionada à circulação de dois agentes virais: o vírus influenza A e o rinovírus, responsáveis por mais de 70% dos diagnósticos positivos registrados nas últimas semanas.

A síndrome respiratória aguda grave (SRAG) é caracterizada pela evolução de quadros gripais comuns, como febre, tosse e coriza, para sintomas mais severos, incluindo dificuldade para respirar e necessidade de hospitalização. Embora, na maioria das vezes, seja desencadeada por infecções virais, nem sempre o agente causador é identificado em exames laboratoriais.

Entre os vírus que podem provocar esse tipo de agravamento estão influenza A, influenza B e covid-19, doenças para as quais existem vacinas disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). Atualmente, a Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza está em andamento em todo o país, com prioridade para grupos mais vulneráveis, como crianças de seis meses a menores de seis anos, idosos e gestantes.

Além disso, o calendário de imunização prevê a aplicação da vacina contra a covid-19 em bebês a partir dos seis meses de idade e doses de reforço para idosos, gestantes, pessoas com deficiência, indivíduos com comorbidades e outros grupos considerados de maior risco.

Nos últimos anos, também passou a ser ofertada no país a vacina contra o vírus sincicial respiratório para gestantes, estratégia que busca proteger recém-nascidos e bebês, público mais suscetível a complicações como bronquiolite.

Pesquisadores envolvidos no monitoramento destacam que a vacinação continua sendo a principal forma de prevenção contra casos graves e mortes relacionadas às infecções respiratórias. Além disso, orientam que pessoas com sintomas gripais evitem contato com outras pessoas sempre que possível e utilizem máscara em situações nas quais o isolamento não seja viável.

Dados consolidados do sistema de vigilância apontam que, somente neste ano, já foram registrados mais de 31 mil casos de síndrome respiratória aguda grave no Brasil. Desse total, cerca de 13 mil tiveram confirmação laboratorial para algum vírus respiratório, sendo o rinovírus o agente mais frequente, seguido pela influenza A, vírus sincicial respiratório, covid-19 e influenza B.

O país também contabiliza mais de 1,6 mil mortes associadas à SRAG em 2026. Entre os óbitos com diagnóstico confirmado de vírus respiratórios, a covid-19 aparece como principal causa, seguida pela influenza A e pelo rinovírus.

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