Rio Branco, Acre - terça-feira, 17 março, 2026

“Ferrovia Bioceânica pode ser a maior chance econômica da história do Acre”, destaca Edvaldo Magalhães

Foto: Sérgio Vale

Foto: Sérgio Vale

O deputado Edvaldo Magalhães (PCdoB) voltou a defender na terça-feira, 8, na tribuna da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), que o estado se mobilize diante do avanço do projeto da Ferrovia Bioceânica. Para o parlamentar, a integração ferroviária entre o Brasil e o Oceano Pacífico, com passagem pelo território acreano, representa uma oportunidade histórica de transformação econômica para a região.

Edvaldo destacou o recente termo de cooperação firmado entre o Ministério dos Transportes do Brasil e a estatal ferroviária chinesa, voltado ao estudo de viabilidade da obra. Ele lembrou que a proposta da ferrovia não é nova, mas ganha força com a mudança na geopolítica internacional, marcada pela disputa comercial entre Estados Unidos e China.

“Essa ferrovia vai passar pelo nosso estado não apenas porque desejamos, mas porque o mundo precisa dela. O canal do Panamá já não dá conta da nova lógica do comércio global. O corredor bioceânico é a alternativa mais viável — e o Acre é peça-chave nesse tabuleiro”, afirmou.

O deputado também resgatou o histórico da proposta, lembrando que ainda no início dos anos 2000, o então presidente Lula e o presidente peruano Alan García assinaram um acordo para viabilizar a integração logística entre os dois países. Com a construção do Porto de Chancay, no Peru — obra orçada em mais de 3,5 bilhões de dólares —, o projeto começa a sair do papel.

“O Porto de Chancay só faz sentido se conectado a uma ferrovia. Estamos falando de um eixo pensado para escoar minérios, commodities e produtos industrializados para a Ásia em tempo recorde, reduzindo até 12 dias no transporte de cargas”, explicou Edvaldo.

Para que o Acre aproveite essa janela estratégica, o parlamentar defendeu o fortalecimento da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) em Rio Branco. Segundo ele, a ZPE cearense só se tornou realidade com a construção de um porto, enquanto o Acre já conta com porto alfandegado, faltando apenas o elo ferroviário.

“Fui um dos que ajudaram a alfandegar a ZPE quando estive à frente da Secretaria de Indústria. Ela precisa voltar ao centro das prioridades. Com a ferrovia, a ZPE pode cumprir sua vocação de alavancar exportações e atrair indústrias para o nosso estado”, disse.

Edvaldo finalizou o discurso cobrando maturidade política do governo estadual e da Aleac para encarar o desafio. “Mesmo com os erros do Executivo, se esta Casa tiver clareza histórica do que está em jogo, podemos viver a maior oportunidade econômica de nossa geração.”

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