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No coração do Vale do Juruá, pequenos produtores seguem mantendo viva uma tradição que atravessa gerações: o cultivo do feijão crioulo. Em Marechal Thaumaturgo, o grão é mais do que alimento — é símbolo de identidade e resistência. Mas, segundo um diagnóstico socioprodutivo recente, essa herança vem sendo ameaçada por uma combinação de fatores que vão da baixa escolaridade à ausência de assistência técnica e estrutura para comercialização.
O estudo, que ouviu cem agricultores do município, revela um cenário paradoxal. De um lado, há uma juventude rural disposta a permanecer no campo e dar continuidade à produção familiar. De outro, a falta de suporte técnico e organizacional impede que esse potencial se transforme em renda e qualidade de vida. O feijão segue sendo cultivado de forma tradicional, voltado quase sempre à subsistência, e enfrenta gargalos sérios no manejo e na venda.
A pesquisa também expõe como o conhecimento empírico, passado de pais para filhos, ainda sustenta a produção. No entanto, sem acesso a capacitações ou acompanhamento agronômico, as famílias ficam vulneráveis a perdas e à baixa produtividade. A ausência de políticas públicas voltadas especificamente para o feijão crioulo — um alimento estratégico para a segurança alimentar da região — agrava o problema e compromete a adoção de práticas mais sustentáveis.
Boa parte das lavouras está localizada em áreas de várzea, sujeitas a cheias e vazantes, o que impõe desafios únicos ao manejo. O ciclo das águas dita o ritmo do plantio e da colheita, e qualquer alteração no regime do rio pode comprometer meses de trabalho.
