Foto: Correio Online
Com a voz embargada e os olhos marejados, Maria do Socorro Moreira, microempreendedora e dona de uma pequena ótica, emocionou os presentes na audiência pública realizada na segunda-feira, 10, na Câmara Municipal de Rio Branco. Durante o debate sobre a possível retirada das famílias que vivem na comunidade do Papoco, Maria fez um apelo em defesa do direito de permanecer no lugar onde construiu sua vida.
“Eu cheguei lá de aluguel e hoje tenho minha casa. Trabalhei de sete da manhã à meia-noite pra pagar o que tenho. Pobre tem dignidade, tem sangue na veia, sente dor, chora, come e veste. Eu não quero sair do lugar onde conquistei minha vida. Não quero que tirem o meu meio de viver”, disse, sob aplausos do público que lotava o plenário.
Moradora do Papoco há mais de 25 anos, Maria afirma que o bairro não é o retrato da criminalidade, mas de uma comunidade de trabalhadores que lutam para sobreviver e manter o pouco que conquistaram. Ela relata ter sido surpreendida ao descobrir que o cadastro feito recentemente por equipes da Prefeitura seria usado para justificar a remoção das famílias.
“Me disseram que era pra ter acesso à saúde e aos serviços sociais. Duas semanas depois, disseram que eu tinha pedido pra sair. Eu nunca pedi pra sair da minha casa”, contou.
A microempreendedora diz que criou seu sustento no próprio bairro, onde realiza serviços de montagem de óculos e atende moradores da região. “Se me tirarem daqui, como vou trabalhar? Quem vai levar um óculos pra montar lá no Rosalinda? Eu vivo do que conquistei. Não quero casa nova, quero respeito”, afirmou.
Maria do Socorro é um dos rostos de uma comunidade que há décadas luta para ser ouvida. Seu discurso, carregado de simplicidade e verdade, sintetizou o sentimento de pertencimento de centenas de famílias que pedem à Prefeitura de Rio Branco que reveja o processo de desocupação.
“Pobre tem dignidade. A gente não quer luxo, quer viver com paz e respeito”, resumiu Maria, aplaudida de pé ao final da fala.
