Foto: Arquivo pessoal/ Defesa Civil
O avanço do desmoronamento às margens do Rio Juruá tem provocado preocupação entre moradores do bairro Miritizal, em Cruzeiro do Sul, no interior do Acre. Pelo menos duas famílias já precisaram deixar suas residências por causa do risco de desabamento provocado pela erosão da encosta, segundo informações da Defesa Civil Municipal.
De acordo com o órgão, cinco imóveis localizados na área foram identificados em situação de risco devido ao avanço contínuo do barranco. Uma das famílias atingidas foi encaminhada para uma residência por meio de aluguel social, enquanto outra decidiu se abrigar temporariamente na casa de parentes.
Moradores relatam medo constante diante da instabilidade do terreno, principalmente durante a madrugada, quando novos desmoronamentos têm sido registrados. A diarista Maria Francisca Araújo Bezerra, que vive no bairro com os quatro filhos, afirma que a situação tem gerado insegurança para quem permanece na região.
Segundo ela, o avanço da erosão se aproxima cada vez mais das residências e o temor é que novas casas sejam atingidas nos próximos dias. A moradora também destacou que muitas famílias não possuem outro local para morar e convivem diariamente com o receio de perder os imóveis.
O coordenador da Defesa Civil de Cruzeiro do Sul, Damasceno Júnior, informou que o município iniciou o desmanche preventivo das residências consideradas mais vulneráveis. A ação busca evitar acidentes e preservar parte da estrutura das casas para possível reaproveitamento em futuras reconstruções em áreas seguras.
Ainda conforme o coordenador, técnicos da Defesa Civil realizam levantamento detalhado das áreas afetadas utilizando drones para mapear regiões de difícil acesso e identificar outras residências sob risco.
O bairro Miritizal é, até o momento, o principal ponto urbano atingido pelos desmoronamentos após a cheia histórica do Rio Juruá. Neste mês, o manancial chegou a atingir 14,19 metros em Cruzeiro do Sul, ultrapassando novamente a cota histórica registrada para o período.
A erosão tem se intensificado com a vazante do rio, fenômeno que fragiliza o solo e provoca o desabamento gradual das margens. Situações semelhantes também foram registradas recentemente em comunidades rurais de Rodrigues Alves, onde famílias precisaram ser retiradas de áreas atingidas pelo desbarrancamento.
Equipes da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e órgãos estaduais seguem monitorando as regiões afetadas e realizando o cadastramento das famílias atingidas direta e indiretamente pelo problema.
