“Falta para o que é importante, mas sobra para os amigos do rei”, diz Jarude sobre orçamento

Foto: Sérgio vale

Foto: Sérgio Vale

A proposta de orçamento do governo do Acre para 2026 foi duramente criticada na Assembleia Legislativa após análise apresentada pelo deputado Emerson Jarude, que apontou cortes expressivos em áreas sociais, ambientais e de segurança pública, ao mesmo tempo em que o Estado mantém sobras milionárias em caixa e amplia gastos em setores considerados não prioritários.

Ao detalhar a peça orçamentária enviada pelo Executivo, o parlamentar afirmou que as políticas voltadas à população em situação de vulnerabilidade vêm sendo progressivamente esvaziadas desde 2024. Segundo ele, os números revelam uma escolha política clara. “A população em situação de vulnerabilidade deveria ser prioridade, mas infelizmente o que vemos no orçamento é um sucateamento dessas políticas”, afirmou da tribuna.

Entre os exemplos citados, Emerson destacou a redução do aluguel social, que caiu de R$ 2 milhões para R$ 500 mil, além da política de atenção à população em situação de rua, cujo orçamento passou de R$ 400 mil para R$ 100 mil. Já os recursos destinados às ações de promoção e atendimento a crianças e adolescentes foram reduzidos de R$ 1,6 milhão para R$ 500 mil. “Quando a gente olha esses números, percebe que quem mais precisa está ficando para trás”, disse.

O deputado também chamou atenção para os investimentos em saneamento básico, área em que o Acre segue com indicadores críticos. De acordo com a análise apresentada, os recursos da Saneacre caíram de R$ 7 milhões para R$ 3 milhões, enquanto os valores destinados à ampliação e melhoria do sistema de abastecimento de água nos municípios reduziram de R$ 46 milhões para R$ 27 milhões. “Mesmo morando na Amazônia, o Acre continua sofrendo com a falta de água, e isso tem explicação no orçamento”, declarou.

Outro ponto central da crítica foi a contradição entre o discurso de restrição financeira adotado pelo governo e as sobras de recursos registradas nos últimos anos. Emerson citou que o Estado encerrou 2023 com R$ 539 milhões em caixa, 2024 com R$ 560 milhões e, para 2025, a previsão é de aproximadamente R$ 400 milhões.

“O governo diz que não tem dinheiro, mas todo ano sobra centenas de milhões em caixa. A pergunta é: esse dinheiro vai para onde?”, questionou. E acrescentou: “falta para o que é importante, mas sobra para os amigos do rei”, afirmou, ao mencionar que, enquanto políticas sociais, ambientais e de segurança pública sofrem cortes, o Estado registra sobras milionárias de recursos ao fim de cada exercício financeiro.

Na área da segurança pública, o parlamentar comparou o orçamento da Polícia Militar com outras despesas do Executivo. Segundo os dados apresentados, o orçamento da corporação teria aumento de apenas 9% em 2026, passando de R$ 30 milhões para R$ 33 milhões. Emerson afirmou que a comparação expõe uma inversão de prioridades. “A previsão de gastos da Polícia Militar é menor do que a previsão de gastos com o jatinho do governo do Estado. Essa é a prioridade que está sendo dada”, criticou.

Para ele, o baixo investimento compromete o enfrentamento ao crime organizado e a proteção dos próprios policiais. “Como é que nós vamos combater facções e evitar a morte de policiais se não valorizamos quem está na linha de frente?”, afirmou.

O deputado também apontou incoerência entre o discurso ambiental do governo e os números do orçamento. Segundo Emerson, a Secretaria de Meio Ambiente teria redução de cerca de 30%, passando de R$ 24 milhões para R$ 16 milhões, enquanto a Secretaria dos Povos Indígenas cairia de R$ 9 milhões para R$ 3 milhões. O orçamento do Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac) também sofreria queda. “O discurso é bonito, mas os números mostram exatamente o contrário”, disse.

Emerson criticou ainda o envio à Assembleia de um projeto do governo estadual que cria a loteria estadual. Segundo ele, a proposta não dialoga com as prioridades sociais do Estado. “O governo do Estado do Acre acaba de mandar um projeto para cá para criar o seu próprio tigrinho”, afirmou. Para o deputado, a iniciativa busca ampliar a arrecadação sem garantir que os recursos sejam direcionados para áreas essenciais, como segurança, políticas sociais e valorização dos servidores públicos.

Por fim, o deputado defendeu que o orçamento de 2026 seja revisto por meio de emendas parlamentares e debate aprofundado. “Nós temos a obrigação de melhorar esse orçamento, porque, do jeito que está, no ano que vem a vida do acreano vai continuar piorando”, concluiu.

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