Ex-presidente do Deracre aponta desafios estruturais no estado e afirma que falta de base impede avanço de obras em diversas regiões
Durante entrevista ao podcast Correio em Prosa, do portal Correio Online, conduzido pela jornalista Marcela Jansen, a ex-presidente do Deracre e pré-candidata a deputada estadual, Sula Ximenes, fez uma avaliação ampla sobre a infraestrutura do Acre e apontou gargalos que, segundo ela, ainda limitam o desenvolvimento do estado.
Com experiência à frente de obras em todos os municípios acreanos, Sula afirmou que o estado ainda enfrenta uma carência estrutural significativa em diversas áreas. “O Acre ainda é muito carente de infraestrutura. A gente precisa de tudo: pontes, pavimentação, estrutura urbana. Ainda falta muita coisa”, declarou.
Um dos principais pontos levantados pela ex-gestora é o crescimento desordenado das cidades, que acaba dificultando a execução de obras, inclusive aquelas já contempladas com recursos. “A nossa cidade não é uma cidade planejada. Ela foi crescendo de forma desordenada, e isso dificulta muito. Às vezes, você tem a emenda pra fazer uma rua, mas não consegue executar porque não tem a base necessária”, explicou.
Segundo ela, a ausência de infraestrutura básica em algumas áreas impede que investimentos avancem de forma eficiente. “Não é só chegar e asfaltar. Precisa de toda uma estrutura antes, e muitas vezes isso não existe”, disse.
Ramais são prioridade para o interior
Entre os pontos mais críticos destacados por Sula estão os ramais, fundamentais para o escoamento da produção rural e para a mobilidade das comunidades do interior. “Os ramais são essenciais. Quem está no campo sofre muito. Tem período do ano que o produtor não consegue escoar a produção, perde tudo”, afirmou.
Ela ressaltou que, apesar da importância, a manutenção dessas vias enfrenta limitações, principalmente por falta de recursos. “Não tem dinheiro suficiente pra atender tudo. E aí quem sofre é o agricultor, que depende disso pra viver”, pontuou.
Para a ex-presidente do Deracre, investir em infraestrutura é condição básica para o desenvolvimento econômico e social do estado. “Quando você olha pra uma obra acontecendo, você vê ali o impacto direto. Não é só concreto. É desenvolvimento, é acesso, é qualidade de vida”, disse.
Sula destacou que obras como pontes e pavimentação têm efeito direto no dia a dia da população. “Uma ponte, por exemplo, muda completamente a realidade de uma comunidade. Não é só atravessar de um lado pro outro, é ter acesso a tudo”, afirmou.
Experiência no campo fortaleceu diagnóstico
Ao longo da entrevista, Sula reforçou que sua visão sobre a infraestrutura do Acre foi construída a partir da vivência prática durante a gestão, acompanhando obras em todas as regiões do estado. “Eu fazia questão de estar nas obras, de entender o que estava acontecendo. Uma coisa é você ver do gabinete, outra coisa é estar lá, ver a dificuldade real”, disse.
Segundo ela, essa proximidade com a realidade das comunidades permitiu compreender melhor as necessidades do estado. “Quando você está no trecho, você entende de verdade o que precisa ser feito”, afirmou.
Ao projetar o futuro, Sula deixou claro que pretende manter a infraestrutura como uma de suas principais pautas. “Eu gosto dessa área. É onde eu sei que posso contribuir. Desde pavimentação até pontes, tudo isso é essencial”, destacou.
Ela também citou projetos que considera importantes, como o Viaduto da Corrente, em Rio Branco, e reforçou a necessidade de continuidade nos investimentos. “Tem muita coisa pra ser feita ainda. E a gente precisa continuar avançando”, concluiu.
