Foto: Rede social
O ex-sargento da Polícia Militar do Acre, Erisson de Melo Nery, foi absolvido novamente pelo Tribunal do Júri na quinta-feira (5), em Rio Branco, no processo que apura a morte do adolescente Fernando de Jesus, de 13 anos. O caso ocorreu em 2017, quando o jovem teria tentado furtar a residência do então militar.
O julgamento foi realizado na 1ª Vara do Tribunal do Júri e começou pela manhã, com o depoimento de testemunhas e a apresentação dos argumentos da acusação e da defesa. Ao final da sessão, os jurados decidiram pela absolvição do réu.
De acordo com a defesa de Nery, a principal tese apresentada durante o julgamento foi a de legítima defesa. Os advogados sustentaram que o ex-militar reagiu a uma situação de invasão à sua residência.
Durante o júri, foram ouvidas cinco testemunhas indicadas pelo Ministério Público e dez testemunhas de defesa. Entre elas estavam um delegado que atuou na ocorrência e uma pessoa que afirmou ter presenciado a invasão da casa e acionado a polícia.
Segundo a defesa, laudos periciais também foram utilizados para sustentar os argumentos apresentados. A perícia balística apontou que a arma que estava com o adolescente poderia efetuar disparos, o que foi usado pelos advogados para reforçar a versão de legítima defesa.
O Ministério Público, por sua vez, pediu a condenação do ex-sargento. A acusação argumentou que houve excesso na reação, destacando a quantidade de disparos efetuados e o fato de a vítima ter apenas 13 anos.
O processo já havia passado por outro julgamento. Em novembro de 2024, Nery chegou a ser condenado a oito anos de prisão em regime semiaberto pelo homicídio. Na mesma decisão, outro acusado no processo, Ítalo de Souza Cordeiro, foi absolvido da acusação de fraude processual.
A condenação previa ainda o pagamento das custas processuais pelo ex-sargento. Na sentença, o juiz responsável pelo caso considerou como agravante o fato de a vítima ser menor de 14 anos, o que aumentou a pena.
Contudo, em maio de 2025, desembargadores da Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC) anularam a sentença após recurso apresentado pela defesa. Os advogados alegaram que o Ministério Público utilizou elementos que não constavam formalmente no processo, o que teria comprometido a decisão anterior.
Com a anulação, foi determinado um novo julgamento, realizado nesta semana.
Após o resultado, o ex-sargento publicou uma mensagem nas redes sociais comemorando a decisão ao lado de seus advogados. Na postagem, afirmou que a decisão representa o reconhecimento da Justiça após anos de processo.
