Foto: EFE/EPA/US MARINE CORPS
Autoridades dos Estados Unidos voltaram a elevar o tom contra o narcotráfico e passaram a admitir, de forma pública, a possibilidade de operações terrestres contra cartéis que atuam no México. A sinalização reacende um debate sensível sobre soberania, segurança regional e os limites da cooperação internacional no combate ao crime organizado.
A declaração partiu do ex-presidente Donald Trump, que afirmou que os cartéis mexicanos representam uma ameaça direta à segurança dos Estados Unidos, sobretudo pelo fluxo de drogas sintéticas, como o fentanil, responsável por milhares de mortes no país. Segundo ele, se houver retorno ao comando da Casa Branca, a resposta poderá incluir ações militares diretas, inclusive em solo estrangeiro.
A proposta não é inédita no discurso político norte-americano, mas provoca forte reação no México. O governo mexicano tem reiterado que não aceita qualquer intervenção armada externa, defendendo que o combate ao narcotráfico deve ocorrer por meio de cooperação bilateral, inteligência compartilhada e fortalecimento das instituições locais, e não por incursões militares unilaterais.
Especialistas em relações internacionais alertam que uma eventual operação desse tipo poderia gerar grave crise diplomática, além de aumentar a instabilidade em regiões já marcadas pela violência. Há também o risco de escalada do conflito, com impactos diretos sobre civis, migração e comércio na fronteira entre os dois países.
Nos Estados Unidos, a fala repercute em meio ao debate eleitoral e ao avanço do tema da segurança pública na agenda política. Enquanto aliados defendem uma postura mais dura contra os cartéis, críticos afirmam que o discurso tem forte viés eleitoral e ignora as consequências jurídicas e humanitárias de uma ação militar fora do território norte-americano.
Até o momento, não há qualquer autorização formal do Congresso dos EUA nem acordo bilateral que sustente uma intervenção desse tipo. O tema, no entanto, permanece no centro do debate político e diplomático, com potencial de influenciar as relações entre os dois países nos próximos meses.
