Rio Branco, Acre - quarta-feira, 04 março, 2026

Estudos da ferrovia bioceânica que cruzará o Acre serão concluídos em até dois anos, afirma Simone Tebet

Foto Internet

A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, anunciou que os estudos de viabilidade da ferrovia bioceânica – que terá trecho passando pelo Acre – serão concluídos em até dois anos. A declaração foi feita na quarta-feira, 9, durante audiência pública na Câmara dos Deputados, em Brasília. A ferrovia faz parte das Rotas de Integração Sul-Americana, uma iniciativa que pretende conectar o Brasil ao Oceano Pacífico, fortalecendo o comércio com países da América do Sul e da Ásia.

O traçado previsto vai do município de Lucas do Rio Verde, em Mato Grosso, até o porto de Chancay, no Peru, cruzando os estados de Mato Grosso, Rondônia e Acre. Segundo Tebet, a redução no prazo dos estudos – que antes era estimado em até dez anos – se deve a um memorando de cooperação firmado com a China, que oferecerá suporte técnico por meio do China Railway Economic and Planning Research Institute. A estatal brasileira Infra S.A. será responsável pela execução dos trabalhos.

A ministra destacou que o estudo será realizado sem custos para o governo brasileiro e não implica em compromissos com a futura construção da ferrovia. “É um presente que podemos entregar ao Brasil. A partir da conclusão dos estudos, caberá ao próximo governo decidir se levará o projeto adiante”, disse. Ela frisou que o acordo não está ligado à Rota da Seda e não envolve endividamento público.

O projeto é considerado estratégico para o agronegócio e a indústria brasileira, já que promete reduzir em até três semanas o tempo de transporte entre o Brasil e a Ásia, além de cortar até 10 mil quilômetros de trajeto, tornando o comércio exterior mais competitivo. Grãos, carnes, manufaturados e insumos industriais devem ser os principais produtos beneficiados.

Tebet afirmou ainda que o interesse da China é pragmático: garantir acesso mais rápido e barato a alimentos e matérias-primas. “A Ásia precisa alimentar seu povo. Se o Brasil conseguir construir ferrovias, que são mais seguras e econômicas, isso interessa a eles — e interessa ao nosso país, que ganha em infraestrutura e protagonismo internacional”, concluiu.

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