A operação do ICMBio na Reserva Chico Mendes, em Xapuri, voltou a ser tema de debate na Câmara Municipal de Rio Branco, na quinta-feira, 12. Na ocasião, o vereador Fábio Araújo (MDB) denunciou o que classificou como ações abusivas de fiscalização ambiental em comunidades rurais do Acre. Segundo ele, produtores que vivem há gerações em áreas de reserva ambiental estão sendo tratados como criminosos, com recolhimento forçado de gado e destruição de bens, mesmo tendo se instalado na região antes da criação oficial das unidades de conservação.
Durante a sessão, o vereador Fábio Araújo exibiu no plenário um vídeo enviado por Gutierre, produtor rural e morador da zona rural do município. Visivelmente emocionado, Gutierre relatou o confisco de seus animais pelas autoridades.
“O que está acontecendo é desumano. São famílias que vivem há mais de 40 anos na mesma terra e agora são tratadas como criminosas. Estão tendo seus bens levados como se fossem invasores. Isso é injustiça institucionalizada”, afirmou Fábio, ao comentar o vídeo.
O vereador também citou o caso de seu Domingos, morador da região do Biriambéu há quase cinco décadas. Segundo ele, a criação de gado tem sido a única alternativa de sobrevivência para muitos extrativistas da floresta, diante do abandono do poder público.
“Não tem ramal, não tem escola, não tem posto de saúde. A castanha sumiu, o açaí não sustenta mais. Como é que essas famílias vão viver? A única saída tem sido criar gado. E mesmo assim, o governo chega, confisca os animais e manda tudo para o matadouro. É cruel.”
O vereador também direcionou críticas à Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e ao ICMBio, por não considerar a realidade das populações tradicionais que vivem em reservas. “Não basta proteger o meio ambiente, tem que proteger as pessoas que vivem ali também. Cadê a política social do ICMBio?”, questionou.
Fábio Araújo ainda cobrou um posicionamento da bancada federal do Acre no Congresso Nacional, que, segundo ele, está omissa. “São três senadores e oito deputados federais. Cadê eles? É hora de se posicionar.”
O parlamentar defendeu que o Congresso aprove o projeto de lei que propõe o recuo da linha de determinadas reservas, medida que poderia regularizar as terras de famílias que vivem há décadas nessas áreas.
