Unidade rural segue sem conclusão após anos de promessas, enquanto equipamentos comprados com dinheiro público correm risco de perda
O que deveria representar avanço na educação rural do Acre acabou se transformando em um cenário de abandono no município de Bujari. A obra da Escola Estadual Rural João de Deus Rodrigues, iniciada após a demolição do antigo prédio, segue paralisada há anos, sem previsão de conclusão e sem respostas claras por parte do poder público.
A unidade já enfrentava dificuldades desde 2020, quando passou a funcionar em espaços improvisados. A expectativa de mudança surgiu em 2023, com a demolição da estrutura antiga e o anúncio de construção de um novo prédio. No entanto, após o início das obras — limitadas à base da construção — os serviços foram interrompidos, em meio às investigações da Operação Ptolomeu, que atingiram a empresa responsável.

Houve tentativa de retomada em 2024, com parte da estrutura sendo levantada, mas a obra voltou a ser paralisada ainda no mesmo ano. Desde então, não há informações oficiais detalhadas sobre prazos, novos contratos ou medidas para garantir a conclusão do projeto, o que tem intensificado a insatisfação da comunidade escolar.
Enquanto isso, recursos públicos já investidos permanecem sem utilização e sob risco de deterioração. Entre os itens adquiridos estão aparelhos de ar-condicionado avaliados em cerca de R$ 100 mil, materiais permanentes — como computadores, projetores e mobiliário — que somam outros R$ 100 mil, além de mais de R$ 21 mil destinados ao atendimento educacional especializado. Sem estrutura física, os equipamentos seguem armazenados, sem garantia de preservação.

Sem sede própria, a escola funciona atualmente em um prédio cedido pela prefeitura, compartilhado com outra unidade e operando em três turnos. A rotina impacta diretamente a qualidade do ensino e o ambiente escolar. Estudantes enfrentam dificuldades no deslocamento, principalmente no período chuvoso, quando o acesso à zona rural se torna mais precário, aumentando riscos e contribuindo para a evasão.
A situação também já resultou na perda de alunos e de recursos educacionais, após a municipalização de parte do ensino, reflexo direto da ausência de uma estrutura adequada. Para moradores e educadores, o caso ultrapassa a paralisação de uma obra e expõe falhas na gestão pública, além de comprometer o direito básico à educação.

Diante do impasse, a comunidade intensifica as cobranças por providências e transparência. Até o momento, no entanto, não há sinalização concreta de solução — e o que permanece no local é um canteiro inacabado que simboliza o desperdício de recursos e o abandono de uma política essencial para o interior do estado.
