Foto: Internet
O 1º Congresso Nacional da Carne (ConaCarne), realizado nos dias 18 e 19 de setembro, em Belo Horizonte, reuniu especialistas para discutir o futuro do mercado do boi. No painel “Entre ciclos e incertezas”, o economista Alexandre Mendonça de Barros (MP Agro/FGV Agro) e o analista Rogério Goulart (Carta Pecuária), mediado pela jornalista Juliana Camargo (Portal DBO), apontaram que o Brasil vive um momento decisivo de internacionalização da pecuária. O país já exporta cerca de 3,5 milhões de toneladas por ano e pode atingir 4 milhões, consolidando-se como formador global de preços.
Mendonça de Barros destacou que a arroba brasileira está cada vez mais dolarizada, com o câmbio como variável central. Para 2025, a referência é de US$ 65/@, mas a conversão em reais dependerá do cenário político e cambial. O especialista também chamou atenção para o recorde de abate no Brasil, que deve alcançar 41 milhões de cabeças em 2024, incluindo 18 milhões de fêmeas — um patamar sem precedentes. “Já matamos demais; o abate deve ceder à frente. A intensidade do recuo e a resposta do bezerro vão dizer o tamanho da alta”, avaliou.
O economista destacou ainda a transformação provocada pelo etanol de milho, que saltou de 1,8 milhão para mais de 30 milhões de toneladas de moagem em poucos anos. A nova matriz reduz o custo da dieta e viabiliza confinamentos e TIP em escala, inclusive para a engorda de fêmeas fora de época. “É talvez a maior vantagem competitiva da nossa pecuária hoje”, afirmou. Com isso, o Brasil ganha musculatura para atender tanto mercados de volume quanto nichos de maior exigência em qualidade e acabamento.
Rogério Goulart trouxe a visão do pecuarista: “O nosso negócio exige operar bem na alta e sobreviver na baixa”. Ele destacou três pilares para proteger margens: ajustar o estoque conforme a categoria animal, adotar sistemas intensivos que melhorem o giro e usar ferramentas financeiras como bolsa e seguros de preço. Sobre a reposição, reforçou que o bezerro entrou em ciclo de alta em 2023 e ainda não rompeu o topo histórico. “Quem manda no boi é a vaca — e quem manda na vaca é o bezerro”, resumiu.
Além dos fundamentos de mercado, os debatedores citaram fatores conjunturais, como o crédito mais curto que tem levado ao abate de fêmeas, e tendências globais de consumo, como o aumento de dietas proteicas em países ricos. A mensagem final foi clara: o Brasil terá de combinar qualidade e gestão com macroeconomia. “Se o preço vier, a pecuária brasileira responde com mais carne e produtividade”, concluiu Mendonça de Barros.
