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Durante a audiência pública que debateu o Ano Internacional do Cooperativismo, o vereador André Kamai fez críticas diretas ao modo como o poder público municipal tem tratado o setor, especialmente as cooperativas de serviço. O parlamentar afirmou que, por conta de casos isolados que não deram certo no passado, há uma resistência injusta da administração em firmar novas parcerias. Para ele, essa postura representa um equívoco que penaliza o trabalhador e encarece o serviço prestado à população.
Kamai argumentou que, na prática, a opção por empresas privadas em vez de cooperativas gera mais custos para o município e menos retorno social. “Hoje, a prefeitura paga mais caro para empresas especializadas enquanto poderia estar contratando cooperativas formadas por trabalhadores locais, que devolvem o dinheiro para a própria economia da cidade”, afirmou. Segundo ele, a desconfiança em relação ao modelo cooperativo precisa ser substituída por uma política de estímulo e acompanhamento técnico.
O vereador também citou um exemplo simbólico para ilustrar o impacto da politização na execução das políticas públicas: veículos comprados por meio de emendas parlamentares e destinados à Unicafes ficaram dois anos parados no estacionamento da prefeitura por decisão política. “Foram dois anos com carros comprados para fortalecer o cooperativismo, travados por pura birra administrativa. Isso é o retrato do quanto ainda precisamos avançar na compreensão sobre o papel das cooperativas”, declarou.
Ao longo da audiência, Kamai também defendeu a importância da mobilização popular e do engajamento político para que o cooperativismo conquiste espaço nas decisões do poder público. Para ele, é a pressão social organizada que faz com que políticas saiam do papel. “O poder público só age quando sente a força do povo. O movimento cooperativista precisa ocupar esse lugar e mostrar que representa trabalhadores de todos os setores”, reforçou.
