O retorno do delegado que nunca saiu da linha de frente foi marcado também por um discurso sobre protagonismo e relevância na engrenagem do Estado
Em um momento em que muitas profissões essenciais ao funcionamento do Estado enfrentam desvalorização, a posse do delegado Emylson Farias como presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Acre (ADEPOL), ocorrida na sexta-feira, 30, foi mais do que uma troca de comando. Foi um chamado à união da categoria e à valorização de quem atua todos os dias na linha de frente da segurança pública.
O novo ciclo da entidade começa com um discurso que se distancia das frases prontas e reivindica, com legitimidade, uma escuta qualificada por parte do Executivo. Um lembrete de que quem faz a segurança acontecer — no front e nas investigações — exige mais que promessas: quer respeito institucional e voz ativa nas decisões do Estado.
“Ocupar a presidência de uma associação de classe é um ato de coragem”, disse Emylson ao destacar ainda que disposição é apenas o ponto de partida. A verdadeira liderança, segundo ele, se constrói com diálogo qualificado, coerência no discurso e firmeza diante das pressões. “É assim que se conduz uma classe”, pontuou.

Figura conhecida nos embates pela valorização da Polícia Civil, Emylson não evitou termos como “enfrentamento”, “esperança” e “responsabilidade”. E foi além: rejeitou a visão reducionista que associa as entidades de classe a meros pleitos salariais.
“A nossa associação não é apenas uma reunião de delegados brigando por salário. É maior do que isso. É um espaço de união, respeito e busca constante por reconhecimento social, valorização profissional e bem-estar dos nossos associados.”
A fala ecoa em um momento em que o debate sobre segurança pública no Acre tem sido restrito a números de criminalidade e discursos de ocasião. Emylson trouxe outro enfoque: o do servidor que resiste, que cobra, que se recusa a ser invisibilizado.
“Esse velho iluso aqui já passou por muitas batalhas com vocês. Agora, carrego essa missão com a lógica da esperança e da expectativa de uma categoria que busca e merece reconhecimento”, afirmou, em trecho que arrancou aplausos discretos, mas consistentes.
Sob seu comando, a ADEPOL deve assumir um papel mais propositivo — e combativo. O presidente deixou claro que a luta será travada com o tripé que considera inegociável: união, valorização e bem-estar. “Sem esses pilares, não há caminho sólido. Vamos lutar por isso, porque é o que nos impulsiona”, concluiu.
