“Empresa sem contrato recolhe lixo hospitalar de forma ilegal”, denuncia Éber Machado

Foto: Assessoria 

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Um vídeo gravado no bairro São Francisco expôs uma cena que poderia ter saído de qualquer reportagem de denúncia em grandes centros, mas que desta vez tem endereço certo: Rio Branco. A imagem mostra dois homens descarregando sacos de lixo hospitalar de uma caminhonete particular e jogando diretamente na carroceria de um caminhão da empresa Norte Ambiental. Um deles aparece usando apenas uma luva. Nenhum dos dois veste equipamentos de proteção obrigatórios. E o que está dentro das sacolas — agulhas, seringas, sangue, medicamentos — é justamente o tipo de material que, se manuseado de forma inadequada, vira risco imediato para qualquer morador, especialmente crianças e idosos que circulam pela região.

A gravação foi exibida nesta quarta-feira, 26, durante sessão na Câmara Municipal, pelo vereador Eber Machado (MDB), que classificou o episódio como “crime federal” e disse que a cidade está há um ano convivendo com um esquema clandestino de recolhimento e transporte de resíduos infectantes. Segundo o vereador, o serviço deveria ser realizado exclusivamente por uma empresa contratada e com veículos adequados, recolhendo o material diretamente nas unidades de saúde. “O que vimos aqui não é lixo doméstico sendo recolhido na porta da minha casa. É lixo hospitalar tratado como se fosse saco de cozinha”, afirmou Eber, enquanto mostrava as imagens feitas em frente à unidade do bairro São Francisco.

O parlamentar também exibiu documentos que apontam para uma possível contradição no processo de contratação da empresa responsável pelo serviço. Uma licitação homologada em novembro do ano passado teria declarado como vencedora a empresa Paz Ambiental, mas, meses depois, a gestão municipal cancelou o processo. Ainda assim, segundo Eber, a Norte Ambiental aparece executando o recolhimento mesmo sem contrato vigente. “Estão fazendo a transferência de lixo infectante em uma caminhonete particular, sem nenhuma segurança, sem autorização, sem contrato. Isso não é erro operacional. É desvio. É favorecimento”, disse.

Para o vereador, além do transporte irregular, há indícios de que o edital do serviço foi moldado para restringir a concorrência, ao exigir que o sítio de tratamento ficasse dentro de um raio de 100 km de Rio Branco. Ele defende que a cláusula pode ter sido criada para direcionar o processo. “É jabuti em edital. É regra feita sob medida. E mesmo assim a empresa que deveria estar fazendo o serviço teve o contrato cancelado sem explicação clara”, afirmou.

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