Foto: Jardel Angelim
O sistema de transporte coletivo de Rio Branco segue enfrentando dificuldades operacionais e financeiras. A empresa Ricco Transportes e Turismo, responsável pela maior parte das linhas da capital, afirma ter acumulado prejuízo superior a R$ 8 milhões em 2025 enquanto opera o serviço por meio de contratos emergenciais.
Segundo o proprietário da empresa, Ewerson Dias, o desequilíbrio financeiro ocorre devido ao alto custo de manutenção do sistema aliado à baixa demanda em algumas rotas. Ele afirma que, em 2024, o prejuízo já havia sido significativo, chegando a cerca de R$ 7 milhões.
“Quando colocamos na conta tudo o que a empresa recebe e tudo o que é gasto para manter o serviço funcionando, os números mostram prejuízo. Em 2024 foram cerca de R$ 7 milhões e em 2025 o valor passou de R$ 8 milhões”, afirmou o empresário.
A Ricco opera o transporte coletivo da capital há quatro anos, por meio de contratos emergenciais renovados a cada seis meses. A empresa assumiu 31 das 42 linhas da cidade em fevereiro de 2022, após a empresa Auto Viação Floresta abandonar parte das rotas.
Atualmente, segundo a empresa, o sistema conta com cerca de 100 veículos atendendo aproximadamente 50 linhas. Dias afirma, no entanto, que algumas rotas têm baixa demanda de passageiros, o que impacta diretamente a sustentabilidade do serviço.
“Há linhas que transportam cerca de 1,8 mil passageiros por mês, o que não cobre o custo da operação”, explicou.
Outro fator apontado pela empresa é o alto número de gratuidades e descontos. De acordo com o empresário, quase metade dos usuários do sistema utiliza algum tipo de benefício, como gratuidade ou meia-passagem estudantil.
A tarifa em Rio Branco é de R$ 3,50, enquanto estudantes pagam R$ 1.
Para manter o funcionamento do transporte coletivo e evitar aumento da tarifa, a Prefeitura de Rio Branco repassa atualmente um subsídio de R$ 3,63 por passageiro transportado à empresa que opera o sistema.
Segundo Dias, novos investimentos dependem da realização de uma licitação definitiva para o transporte público da capital.
“Hoje temos mais de R$ 40 milhões investidos no sistema. Nenhuma empresa vai adquirir uma frota nova de cerca de 100 ônibus, com investimento próximo de R$ 95 milhões, sem ter garantia de continuidade da operação”, afirmou.
A expectativa é que o município avance nesse processo. O prefeito Tião Bocalom deve anunciar nesta segunda-feira (9) o Edital de Concorrência Pública nº 005/2026, que prevê a concessão e operação do transporte coletivo de Rio Branco.
Usuários relatam demora e falhas nos ônibus
Enquanto o impasse sobre o futuro do sistema permanece, passageiros continuam enfrentando dificuldades no dia a dia.
A assistente escolar Eremita Gadelha afirma que atrasos e problemas mecânicos são frequentes.
“Os ônibus são velhos e demoram muito. Já aconteceu de o veículo quebrar no meio do caminho e a gente precisar pedir carro por aplicativo ou esperar outro”, contou.
O autônomo Cleildon Henrique diz que a situação tem piorado nos últimos tempos.
“Quem depende do ônibus sofre. Sempre teve problema, mas agora está mais complicado”, relatou.
Nas regiões mais afastadas da cidade, a espera tende a ser ainda maior. O carpinteiro Francisco Nascimento, que utiliza a linha da Transacreana, afirma que o intervalo entre os ônibus chega a 45 minutos.
“Durante a semana já demora. No fim de semana a espera é ainda maior”, disse.
Moradores de bairros com poucas linhas enfrentam dificuldades semelhantes. O aposentado Francisco de Sousa, morador do bairro Jequitibá, relata que há apenas um ônibus atendendo a região. (Com informações g1)
