Rio Branco, Acre - sexta-feira, 24 abril, 2026

Emendas sobre saúde, mobilidade e cultura são rejeitadas durante votação da LDO 2026 em Rio Branco

Foto: Jardy Lopes

Foto: Jardy Lopes

Propostas voltadas a áreas sensíveis da cidade não avançaram em plenário; plano orçamentário foi aprovado com resistência da base governista a sugestões da oposição

A Câmara Municipal de Rio Branco aprovou a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para o ano de 2026, mas a votação foi marcada pela rejeição de diversas emendas consideradas estruturantes. Entre os temas barrados estavam saúde, infraestrutura urbana, cultura e meio ambiente — áreas apontadas como carentes de investimento por diferentes segmentos da sociedade.

Boa parte das emendas rejeitadas partia de vereadores independentes ou de oposição, e propunham desde a implantação de serviços de telemedicina até a criação de novos ecopontos e revitalização da malha viária.

Entre as emendas derrubadas durante a votação da LDO 2026, estavam propostas voltadas a áreas estratégicas e de interesse direto da população. Uma delas previa a implantação de estratégias de telemedicina em dez Unidades de Referência de Atenção Primária (URAPs), com o objetivo de retomar serviços que estariam paralisados em diversas unidades.

Também foi rejeitada a proposta de revitalização de 10 quilômetros da malha viária urbana, ampliando a meta originalmente prevista pelo Executivo, que contempla apenas 3 km. Outra emenda barrada sugeria a instalação de cem novos abrigos em paradas de ônibus, uma demanda recorrente de moradores de bairros periféricos.

No setor cultural, foram rejeitadas iniciativas voltadas ao fortalecimento do Fundo e do Sistema Municipal de Cultura, que buscavam garantir financiamento contínuo e maior autonomia ao setor.

Por fim, também não avançou a proposta de criação de novos ecopontos no Segundo Distrito, justificada pela baixa cobertura atual e pelo funcionamento precário das estruturas existentes.

Parlamentares contrários à maioria das rejeições criticaram o que chamaram de “filtro político” na análise das propostas. Para eles, o conteúdo das emendas deveria ter mais peso do que a autoria, já que muitas tratavam de demandas urgentes da população.

O vereador André Kamai (PT), autor de parte das propostas, lamentou o que classificou como um “boicote institucionalizado”. Durante a sessão, afirmou que “a política precisa ser feita com responsabilidade e coragem”, e cobrou coerência entre o discurso e a prática dos colegas.

Compartilhar