Em Rondônia, pedágio na BR-364 provoca reação popular e pressão política

Foto: Reprodução 

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A cobrança de pedágio na BR-364, em Rondônia, em vigor desde 12 de janeiro, provocou forte reação popular, mobilização nas redes sociais, críticas de parlamentares e manifestações do setor produtivo. A insatisfação ganhou corpo principalmente no trecho entre Vilhena e Porto Velho, considerado estratégico para o transporte de cargas e deslocamento diário da população.

Entre os primeiros a se manifestar publicamente esteve o deputado estadual Delegado Camargo (Republicanos), que ingressou como assistente em ação judicial movida pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Rondônia (Aprosoja-RO) e pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). O parlamentar criticou o início da cobrança antes da entrega de melhorias previstas e afirmou que a população foi surpreendida com o pedágio sem debate público suficiente.

Na Assembleia Legislativa, outros deputados também se posicionaram contra o modelo adotado. Pedro Fernandes (PRD) questionou a cobrança antecipada e classificou o pedágio como penalização direta aos usuários. Já Alan Queiroz defendeu maior transparência, enquanto o presidente da Casa, Alex Redano, afirmou que o tema seria tratado institucionalmente pelo Legislativo. Os deputados Cássio Gois e Cirone Deiró também registraram críticas à cobrança.

No setor produtivo, a Aprosoja-RO sustenta que o pedágio eleva custos logísticos e compromete a competitividade da produção agrícola. O consultor de relações governamentais da entidade, Thiago Rocha, afirmou que estudos técnicos indicam impacto direto sobre o frete e risco de redução no fluxo de cargas pela rodovia. Empresários do transporte de cargas também alertaram que o aumento do custo tende a ser repassado aos preços de mercadorias e serviços.

A insatisfação também se espalhou entre usuários da rodovia. Motoristas, moradores e transportadores passaram a relatar nas redes sociais que utilizam a BR-364 diariamente para trabalho e consideram a tarifa elevada diante das condições atuais da estrada. A pressão popular culminou em manifestações presenciais e reforçou o movimento que levou a questão ao Judiciário, onde agora se aguarda decisão sobre o pedido de suspensão da cobrança enquanto o mérito da ação é analisado.

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