Foto: Sérgio Vale
A expansão da cadeia produtiva do café no Acre ganhou um novo capítulo com a defesa do deputado Edvaldo Magalhães (PCdoB) para que o Estado transforme o discurso de incentivo ao setor em prática concreta. Durante sessão na Assembleia Legislativa, o parlamentar apresentou um projeto que inclui o café torrado e processado na Política de Compras Governamentais, garantindo que escolas, secretarias e demais repartições consumam exclusivamente o produto industrializado no próprio Acre.
A proposta surge no momento em que o estado consolida investimentos para ampliar sua infraestrutura cafeeira. Apenas nesta semana, a BDI firmou um convênio de R$ 14 milhões para a construção de dois novos complexos industriais ligados à CopaHeráclito: um atendendo Capixaba e região e outro vinculado à cooperativa da Bonal, em Acrelândia — município que se tornou referência no cultivo da cultura.
Para Magalhães, porém, a engrenagem só estará completa quando o governo adotar uma postura coerente com a política que defende. “Se cada escola, cada secretaria e cada órgão público consomem café todos os dias, é injusto que o Estado compre produtos de fora enquanto a indústria local já trabalha com grãos produzidos aqui”, argumentou. Ele citou o próprio plenário como exemplo: “Nas nossas mesas, todo mundo tem uma xícara de café. É uma contradição não garantir que esse café seja o nosso”.
O projeto apresentado pelo deputado altera o capítulo da lei estadual que trata das compras diretas da indústria. A nova redação determina que as compras públicas de café sejam feitas por meio de credenciamento regionalizado, permitindo que indústrias do Acre forneçam diretamente às secretarias. A medida evita disputas licitatórias dominadas por empresas de outros estados que ofertam café mais barato e, muitas vezes, sem relação com a cadeia produtiva local.
Além de assegurar preço de mercado às indústrias, o modelo funciona como uma proteção econômica para cooperativas e agricultores que, nos últimos anos, vêm ampliando o plantio e a qualidade do grão acreano. Magalhães lembra que o governo já apoia a base da cadeia — da doação de mudas à expansão industrial —, mas reforça que falta completar o ciclo. “Damos a muda, incentivamos a produção, mas precisamos garantir a xícara. A política de compras governamentais é a etapa que falta para fechar essa lógica de desenvolvimento”, afirmou.
