Foto: Sérgio Vale
Vídeos exibidos na Aleac mostram precariedade em comunidade às margens do Rio Gregório; parlamentar questiona destino de recursos milionários para reformas
O deputado estadual Edvaldo Magalhães (PCdoB) denunciou, durante sessão na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), a situação de abandono enfrentada por estudantes da zona rural no estado. A denúncia foi acompanhada da exibição de dois vídeos gravados às margens do Rio Gregório, que mostram escolas funcionando em condições precárias, sem estrutura mínima para alunos e professores.
Segundo o parlamentar, as imagens foram registradas em comunidades localizadas na parte alta e baixa do mesmo rio, incluindo a aldeia Nova Esperança. Em um dos vídeos, pais de alunos relatam que as crianças estudam em uma casa improvisada, sem salas adequadas, sem banheiro estruturado e sem qualquer tipo de privacidade. “Os alunos não têm banheiro. O espaço não tem cobertura, não tem parede. É ali que as crianças precisam fazer suas necessidades”, descreveu.
As imagens também mostram salas improvisadas, com estrutura deteriorada, paredes comprometidas e até vegetação invadindo o ambiente interno. Em outro trecho, a cantina da escola aparece em estado crítico, sem condições adequadas para preparo ou consumo da alimentação escolar.
Além da precariedade física, o deputado chamou atenção para a falta de professores nas comunidades. De acordo com ele, há turmas do ensino médio que ainda não tiveram profissionais lotados, mesmo com o ano letivo já em andamento. “Já se passaram mais de 60 dias desde o início do calendário escolar e há alunos sem aula. Isso compromete completamente a formação desses estudantes”, afirmou.
Edvaldo Magalhães também questionou a aplicação de recursos públicos destinados à reforma de escolas rurais. Ele citou um contrato de aproximadamente R$ 25 milhões firmado com uma empresa de fora do estado, que teria sido justificado pela urgência em garantir o início do ano letivo. “O argumento era que a licitação demoraria e que era preciso agir rápido. Mas a realidade que vemos é de escolas caindo aos pedaços”, criticou.
O parlamentar defendeu que as reformas sejam realizadas por meio de convênios com as prefeituras, argumentando que a gestão local pode dar respostas mais rápidas às demandas das comunidades.
Por fim,, o parlamentar classificou a situação como um descaso com a educação pública rural e alertou para os impactos a longo prazo. “Estamos condenando uma geração inteira a não ter acesso a uma formação mínima. Isso é extremamente grave”, concluiu.
