Rio Branco, Acre - quinta-feira, 05 março, 2026

Do roçado para o mapa do turismo: produtora quer transformar fazenda em destino de vivência rural

Foto: Correio online

Uma portaria recente do Ministério do Turismo abriu as porteiras para que agricultores familiares e produtores rurais do Acre passem a se cadastrar no Cadastur, o registro oficial de prestadores de serviços turísticos no Brasil. Na prática, isso significa que o pequeno agricultor que antes só vendia leite, queijo ou café, agora pode também receber turistas, abrir sua propriedade para vivências autênticas e transformar a rotina do campo em atrativo turístico.

A mudança é vista como um ponto de virada para o turismo no estado. O segmento rural passa a ser reconhecido como estratégico, especialmente em regiões onde agricultores familiares e proprietários de fazenda já desenvolvem atividades que despertam o interesse de visitantes. Com o cadastro oficial, torna-se possível mapear essas propriedades, organizar rotas temáticas e estruturar iniciativas como a rota do café, que já está em debate.

O turismo rural, no entanto, vai além de hospedagem ou da simples venda de produtos. A proposta é oferecer vivências ligadas ao cotidiano do campo: acompanhar o cultivo do açaí, provar um queijo fresco feito na propriedade, entender o processo da cachaça artesanal ou participar da colheita. Esse modelo aproxima o visitante do dia a dia do produtor e fortalece a conexão com a identidade cultural acreana.

Além da visibilidade em canais oficiais, o registro garante benefícios como acesso a linhas de financiamento, participação em feiras e programas de qualificação. Para os produtores, significa ampliar a renda; para o Acre, significa entrar no circuito mundial do turismo de experiência, onde a viagem vai além da paisagem e se torna encontro com modos de vida.

Com a novidade, propriedades antes vistas apenas como áreas de produção agrícola podem virar destinos de viagem. Do café de Acrelândia ao queijo de Sena, passando pela cachaça de Plácido e o açaí do Juruá, o campo acreano começa a se projetar não apenas como fornecedor de alimentos, mas como nova vitrine turística e cultural do estado.

Trilhas, lazer e vivências rurais

A ideia da produtora rural Vanda Pereira de Freitas, proprietária da Fazenda Buriti, na Vila Belo Jardim, em Rio Branco, vai ao encontro dessa nova fase do turismo acreano. Entusiasmada, ela já imagina abrir os portões de sua terra para receber visitantes em trilhas pelo campo, banhos de açude, refeições caseiras e experiências que unem lazer e a vida simples do interior. Para ela, cada detalhe da rotina no campo pode se transformar em atrativo cultural e afetivo para quem deseja conhecer de perto o Acre.

“Eu sempre tive esse desejo de compartilhar a beleza da minha fazenda com outras pessoas, mas não sabia que isso poderia se tornar realidade de forma tão organizada. Quando soube que agora podemos nos cadastrar e receber turistas, fiquei maravilhada. Quero que as pessoas vivam aqui momentos de paz, alegria e contato verdadeiro com a natureza, assim como eu vivo todos os dias”, disse Vanda.

Para a produtora, a novidade representa também a chance de valorizar a cultura acreana e compartilhar tradições. “O que mais me anima é poder mostrar a nossa comida feita no fogão a lenha, o café coado na hora, a caminhada em meio às árvores, Conheçam nossas plantações de café, banana, abacaxi, e tantas outras coisas lindas que temos aqui. Quero que as pessoas saiam daqui levando uma lembrança verdadeira do Acre, da vida no campo e da simplicidade que faz tudo ser especial”, finalizou.

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