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A carne bovina, produto essencial na mesa do acreano, continua refletindo a instabilidade da economia local. Um estudo encomendado pelo Fórum Empresarial de Inovação e Desenvolvimento do Acre e conduzido pelo professor Rubicleis Gomes da Silva, da Universidade Federal do Acre (Ufac), revelou que cada 1% de aumento no preço da arroba resulta em um reajuste de 0,4% no varejo.
O levantamento, intitulado “Co-interação entre mercados: do pasto ao prato, como os preços da arroba chegam à mesa do acreano”, analisou dados entre julho de 2023 e setembro de 2025, com apoio do Programa de Educação Tutorial da Faculdade de Economia (PET/Economia). O objetivo foi entender como o preço pago ao produtor se converte no valor cobrado nos açougues e supermercados.
Os resultados mostram que o repasse é rápido: a velocidade de ajuste é de 81% ao mês, o que significa que as variações no campo chegam quase imediatamente ao consumidor. Em 12 meses, o preço da carne subiu em média 5,32%, com alta mais intensa nos açougues e tendência de queda nos supermercados.
“Os açougues repassam mais diretamente os aumentos de custos devido às margens apertadas, enquanto os supermercados utilizam a carne como produto âncora, absorvendo aumentos através de subsídios cruzados com outros produtos”, explica Rubicleis.
A pesquisa também aponta que os preços nos açougues ainda são 32% inferiores aos dos supermercados, mas o impacto para o consumidor é inevitável. No fim das contas, quem mais sente o peso da oscilação é quem compra — e quem produz, que continua sem ver o aumento da arroba se converter em lucro.
