Rio Branco, Acre - terça-feira, 27 outubro, 2026

Disputa pela presidência da Câmara tira o foco de problemas da população, critica Aiache

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Vereador questiona antecipação das articulações pela Mesa Diretora e cobra andamento de projetos após sessão ser barrada por falta de quórum em Rio Branco

A eleição da próxima Mesa Diretora da Câmara de Rio Branco ainda não aconteceu, mas a movimentação pelo comando da Casa já provoca insatisfação entre os próprios vereadores. Nesta terça-feira (27), José Aiache (PP) criticou a atenção dada às articulações políticas e cobrou que os parlamentares priorizem as demandas da população, em vez de concentrar esforços na disputa por cargos.

A manifestação ocorreu após o presidente da Câmara, Joabe Lira, decidir não abrir a sessão por falta de quórum. Aiache contestou a medida, alegando que parte dos vereadores estava reunida para discutir vetos a projetos de lei, incluindo dois relacionados ao Plano Diretor da capital.

“Subimos para conversar sobre os vetos e encaminhar as matérias à CCJ. Inclusive, havia dois vetos relacionados ao Plano Diretor. Precisamos colocar essas questões em votação, mas o presidente sequer deu andamento à sessão. Isso é um absurdo, não contra mim, mas contra a população do nosso município”, afirmou.

O episódio serviu de pano de fundo para uma crítica mais ampla ao ambiente político dentro do Legislativo. Na avaliação de Aiache, a sucessão da presidência passou a ocupar espaço excessivo nas discussões internas, enquanto matérias de interesse da cidade continuam aguardando deliberação. “Eu acho que é uma antecipação. É ‘eu quero mesa, eu quero mesa, eu quero mesa’. É uma fome de poder”, disparou.

O vereador também ironizou a insistência nas negociações pela futura direção. Disse que compraria uma mesa de plástico para presentear quem estivesse tão interessado em assumir o comando da Casa.

A crítica ocorre em um momento em que o próprio Progressistas, partido de Aiache, participa das articulações pela próxima Mesa Diretora. O parlamentar considera que a legenda, por reunir a maior bancada da Câmara e ser o partido do prefeito, deve ter protagonismo na escolha dos futuros dirigentes.

Apesar de defender a participação do PP, Aiache questiona a antecipação da disputa e aponta outras prioridades que, segundo ele, deveriam receber atenção dos vereadores. “Pessoal, existe algo além da Mesa Diretora. Existe a nossa população, existem ruas, escolas, creches e o abastecimento de água. Há muita coisa além dessa mesa. Temos que dar uma satisfação à população. Viemos trabalhar”, declarou.

Aiache afirmou ainda que pretendia apresentar dois projetos de lei nesta terça-feira, mas ficou impedido com a não abertura da sessão. Também demonstrou preocupação com a demora na liberação de emendas parlamentares destinadas a instituições que dependem dos recursos para manter suas atividades.

O vereador defendeu que a situação das emendas seja esclarecida junto à Prefeitura e aos setores responsáveis pelo planejamento e orçamento municipal.

As declarações de Aiache expõem o desconforto com a antecipação da sucessão no Legislativo. Embora a escolha da Mesa Diretora faça parte da dinâmica política da Câmara, o debate sobre quem ocupará os cargos de direção ocorre enquanto projetos e outras matérias seguem à espera de votação.

Nesta terça-feira, a ausência do número mínimo de vereadores no plenário impediu até mesmo a abertura dos trabalhos.

 

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