Enquanto o Brasil registrou uma queda expressiva de 32,4% no desmatamento em 2024, o estado do Acre seguiu na contramão da tendência nacional. Segundo o Relatório Anual do Desmatamento (RAD), divulgado na quinta-feira, 15, pela rede MapBiomas, o país perdeu 1.242.079 hectares de vegetação nativa no ano passado — o equivalente a cerca de 1,5 milhão de campos de futebol. No entanto, o Acre foi o único estado da Amazônia Legal a registrar aumento no desmatamento, com crescimento de 30% em relação a 2023.
Ao todo, o estado acreano somou cerca de 19 mil hectares de vegetação suprimida, conforme dados detalhados da plataforma MapBiomas Alerta. A maior parte da devastação se concentrou nos municípios de Feijó, Sena Madureira e Tarauacá — todos situados no chamado “arco do desmatamento” amazônico.
Amazônia Legal: perda concentrada
A Amazônia foi o segundo bioma brasileiro mais afetado, com a perda de 377.708 hectares de floresta. Apesar disso, o dado representa uma redução de 16,8% em relação a 2023, quando o número foi de 454.230 hectares.
No total, os nove estados da Amazônia Legal somaram 67% de toda a área desmatada no país entre 2019 e 2024. Entretanto, o Acre destoou dos vizinhos ao apresentar avanço no ritmo de desmatamento, mesmo com políticas federais de controle ambiental mais rígidas.
Biomas: Cerrado ainda lidera
O cerrado lidera novamente como o bioma mais desmatado do país, com 652.197 hectares devastados em 2024. Mesmo assim, houve uma significativa redução de 41,2% em relação ao ano anterior. A região de Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) foi responsável por 75% de todo o desmatamento do cerrado e 42% da perda de vegetação no Brasil.
Aumento de queimadas no Acre agrava cenário
Além do aumento no desmatamento, o Acre enfrentou alta nos focos de queimadas. Somente em setembro de 2024, o estado registrou 2.336 focos ativos, representando um aumento de 59% em comparação com o mesmo período de 2023. Feijó concentrou 27% dos incêndios, seguido por Tarauacá (17,8%) e Cruzeiro do Sul (10%).
Esses números colocam o estado em alerta diante da crescente pressão ambiental sobre seus territórios, especialmente em áreas indígenas e unidades de conservação.
Proteção de terras indígenas e UCs avança
No cenário nacional, as terras indígenas tiveram redução de 24% no desmatamento, com perda de 15.938 hectares — 1,3% do total nacional. As unidades de conservação também apresentaram melhora, com queda de 42,5% na área devastada, totalizando 57.930 hectares. A proteção integral teve recuo ainda maior, de 57,9%.
Pressão agropecuária domina vetores
Desde 2019, mais de 97% da vegetação nativa perdida no Brasil teve como vetor a expansão agropecuária, segundo o RAD. Na Amazônia, o garimpo é outro fator preocupante, responsável por 99% da área desmatada por essa atividade no país.
Contexto acreano exige atenção especial
Com o aumento de 30% no desmatamento e alta nos focos de calor, o Acre se isola como um ponto de atenção em meio à queda geral observada no país. O avanço da fronteira agrícola, a grilagem de terras e o desmonte de ações de fiscalização em áreas rurais são apontados como causas centrais da degradação ambiental.
Para reverter esse cenário, especialistas cobram ações conjuntas entre o governo estadual, federal e sociedade civil organizada, além do fortalecimento da economia de base florestal e incentivo à regularização fundiária.
