Rio Branco, Acre - sábado, 02 maio, 2026

Demissão em massa de servidores da Saúde provoca tensão e mobilização na Aleac

Foto: Sérgio Vale

Foto: Sérgio Vale

A iminente demissão de aproximadamente 200 profissionais da saúde contratados emergencialmente durante a pandemia da Covid-19 gerou comoção e uma acalorada reunião na terça-feira, 15, na Assembleia Legislativa do Acre. O encontro, realizado na sala de Comissões, reuniu deputados, representantes sindicais e servidores afetados pela medida.

O encerramento dos vínculos está previsto ainda para o mês de abril. A justificativa oficial do governo é a necessidade de abrir espaço para a entrada dos concursados recém aprovados no último certame. No entanto, para quem atuou na linha de frente durante os momentos mais críticos da pandemia, a transição está sendo feita de forma abrupta, sem planejamento e com impacto direto na qualidade do atendimento.

Presidindo a reunião, o deputado estadual Adailton Cruz (PSB) destacou a delicadeza da situação e alertou para os riscos da substituição acelerada de profissionais experientes por recém-chegados ainda sem treinamento prático. “A renovação do quadro é um direito do Estado, mas isso não pode significar abandono de quem segurou as pontas quando o sistema estava em colapso. O processo precisa ser humano e responsável”, defendeu.

“Não somos descartáveis”

Os profissionais da saúde lembraram aos parlamentares que não são “peças descartáveis” e reforçaram que os novos profissionais não estão preparados para assumir as funções dos que estão saindo. O grupo ainda relatou que todas as tentativas de diálogo com a Secretaria de Saúde foram frustradas e criticaram a falta de sensibilidade da gestão.

Sindicato cobra tempo para transição

Representando o Sindicato dos Profissionais e Auxiliares de Enfermagem e Enfermeiros do Acre (Spate), a presidente Alesta Costa pediu que o governo reavalie a pressa na substituição dos quadros. “Formação acadêmica não é sinônimo de experiência. Cuidar de vidas exige mais do que teoria. Muitos dos novatos estão perdidos nos plantões, assustados, sem saber por onde começar. Estamos alertando antes que algo grave aconteça”, disse a sindicalista.

Ela propôs que a transição ocorra de forma gradual, garantindo o treinamento adequado dos novos servidores e evitando prejuízos ao atendimento à população. “Não é justo nem com os que saem, nem com os que entram. Estamos falando de seres humanos, de vidas em risco e de trabalhadores que deram tudo de si durante a maior crise sanitária da nossa geração.”

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