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A transferência do delegado que prendeu uma advogada em Cocalzinho de Goiás se tornou o principal desdobramento de um caso que ganhou repercussão nacional e colocou em xeque os limites da atuação policial. A medida foi oficializada pela Polícia Civil e ocorreu após pressão institucional e questionamentos sobre a legalidade da prisão.
O delegado Christian Zilmon Mata dos Santos foi removido da unidade onde atuava e transferido para o município de Águas Lindas de Goiás. A decisão partiu do comando da Polícia Civil e foi adotada logo após a repercussão do caso e a atuação direta da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-GO), que denunciou possível violação das prerrogativas da advocacia.
Oficialmente, a transferência foi tratada como uma medida administrativa, mas está diretamente ligada ao episódio envolvendo a advogada. A Polícia Civil não detalhou punição formal no ato, porém o afastamento ocorreu após solicitação da OAB e diante da gravidade das circunstâncias.
Além disso, o Conselho Superior da corporação determinou o afastamento imediato do delegado da cidade onde ocorreu o caso, indicando uma resposta institucional à repercussão e à necessidade de preservar a apuração.
Como consequência direta, a Polícia Civil também editou uma nova norma interna proibindo que delegados atuem em ocorrências nas quais tenham envolvimento pessoal — uma mudança vista como reflexo do episódio.
Relembre o caso
A advogada Áricka Cunha foi presa dentro do próprio escritório após publicar críticas, nas redes sociais, a um procedimento conduzido pelo delegado. A prisão foi justificada pela autoridade policial como resultado de supostos crimes como difamação, injúria e desobediência.
A condução ocorreu de forma coercitiva e foi registrada em vídeo, o que ampliou a repercussão do caso. A profissional foi liberada no mesmo dia após pagamento de fiança.
A OAB contestou a legalidade da prisão, alegando violação das prerrogativas da advocacia, especialmente a inviolabilidade do escritório profissional e o direito ao livre exercício da profissão.
O caso levou a entidade a ingressar com medidas judiciais, incluindo um habeas corpus preventivo que impediu o delegado de atuar em procedimentos relacionados à própria situação, apontando possível conflito de interesse.
