Rio Branco, Acre - terça-feira, 22 setembro, 2026

Defesa de Gladson Cameli questiona operação da PF a 12 dias da eleição e cita decisão do STF

Gladson

A campanha do ex-governador e candidato ao Senado Gladson Camelí (PP) reagiu à operação da Polícia Federal realizada na manhã desta terça-feira (22), em Rio Branco, e questionou a realização da medida a 12 dias do primeiro turno das eleições. Em nota oficial, a assessoria jurídica classificou as diligências como abusivas e afirmou que recorrerá à Justiça.**

Agentes da Polícia Federal cumpriram mandado na residência de Gladson, no condomínio Recanto Verde, em Rio Branco. Segundo informações divulgadas inicialmente pelo *ac24horas*, foram apreendidos o telefone celular do ex-governador e três veículos — uma Toyota SW4, uma BMW e um Volkswagen.

A publicação informou ainda que pessoas próximas ao candidato, entre elas um ajudante de ordem, também teriam sido alvo de busca e apreensão. Até a publicação desta matéria, não havia sido localizada manifestação oficial da Polícia Federal detalhando o objeto da operação e os fundamentos das medidas cumpridas nesta terça-feira.

Em nota assinada pelo advogado Erick Venâncio, a campanha afirmou considerar estranho que a operação tenha ocorrido às vésperas da eleição e alegou que veículos de comunicação ligados a adversários políticos teriam tido conhecimento antecipado das diligências. “Causa estranheza que, às vésperas do processo eleitoral, seja deflagrada uma operação na qual alguns influenciadores, blogs e sites de militantes a serviço de adversários tiveram informações e acesso antecipado”, afirmou a defesa.

A alegação de vazamento ou acesso antecipado às informações não foi acompanhada, na nota, da indicação de provas ou de responsáveis.

Defesa cita decisão do STF

Outro ponto levantado pela assessoria jurídica é a ADPF 1017, julgada pelo Supremo Tribunal Federal. A defesa sustenta que a decisão impede determinadas medidas cautelares contra candidatos a cargos majoritários durante os 15 dias que antecedem a eleição e afirma que a operação desta terça-feira teria desrespeitado esse entendimento.

A ADPF 1017 teve origem em uma discussão sobre medidas cautelares determinadas contra candidato a cargo majoritário durante o período eleitoral. No processo, o STF analisou os limites da adoção dessas medidas no período imediatamente anterior à votação.

A aplicação desse entendimento ao caso de Gladson, entretanto, dependerá da natureza e dos fundamentos jurídicos das medidas determinadas nesta terça-feira, informações que ainda não haviam sido tornadas públicas até a publicação desta matéria.

Campanha fala em perseguição

Na manifestação, a defesa também voltou a questionar provas utilizadas em processos envolvendo o ex-governador e afirmou que Gladson continuará colaborando com a Justiça. “Mais uma vez, tanto o candidato quanto sua assessoria jurídica se colocaram à disposição da Justiça, no intuito de colaborar com os esclarecimentos pela certeza de inocência”, diz trecho da nota.

A campanha sustenta ainda que as medidas têm caráter de perseguição e intenção de interferir no processo eleitoral. Trata-se da posição apresentada pela defesa do candidato.

Gladson disputa uma das duas vagas do Acre no Senado. No último dia 11, o Tribunal Regional Eleitoral do Acre (TRE-AC) indeferiu, por unanimidade, o registro de sua candidatura após acolher impugnação apresentada pela Procuradoria Regional Eleitoral com base na condenação criminal imposta pelo Superior Tribunal de Justiça. A decisão ainda está sujeita a recursos.

Nesta terça-feira, inclusive, o TRE-AC tem em pauta os embargos de declaração apresentados pela defesa no processo de registro da candidatura.

No encerramento da nota, a campanha afirmou confiar na Justiça e declarou que continuará contestando judicialmente as medidas adotadas contra o candidato.

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