Foto: Portal Correio online
O Dia Internacional do Café, celebrado nesta quarta-feira, 1º de outubro, amanheceu com o cheiro de chão úmido e o rumor das lavouras que se espalham pelo Acre. Data que, no estado, já não é apenas uma comemoração simbólica: é também a revelação de uma geração que finca raízes e colhe reconhecimento.
É nesse cenário que o Correio OnLine inicia a série especial “O café da nova geração”, que conta a trajetória de dois irmãos — Patrick e Daniel — jovens que carregam nos ombros a esperança de uma cafeicultura que cresce, floresce e começa a ganhar prêmios.
Eles participam do Qualicafé, concurso que se tornou vitrine para o robusta amazônico. Mais que competição, o evento é um rito de passagem: seleciona os melhores grãos, valoriza o trabalho dos produtores e mostra que o Acre também sabe transformar terra em aroma, suor em qualidade.

Para chegar até Patrick Souza da Silva, nossa equipe deixou a cidade para trás, pegou a estrada, cruzou vilas, venceu curvas e poeira de ramal. E no coração da zona rural de Porto Acre, encontramos um jovem que em sua primeira safra, – e participando pela primeira vez do concurso -, já está entre os 15 finalistas. Um feito que, mais que resultado, simboliza o início de uma história que promete marcar a cafeicultura acreana.
“Olha, pra mim foi muito gratificante, né? Primeira vez que a gente tá participando e já consegui ficar entre os 15 melhores. Eu acho bastante gratificante porque muitos produtores aqui competiram já e esse ano eles não conseguiram entrar entre os 15. Pra nós foi o resultado de um trabalho que a gente conseguiu fazer mais ou menos no certo”, diz Patrick, com a voz carregada de surpresa e orgulho.
O interesse pela cafeicultura nasceu de um olhar atento. Vizinhos da região já cultivavam o café e os resultados chamaram a atenção da família. “Na verdade, a gente tinha outros produtores plantando, né? E a gente viu que realmente aqui na nossa região ele produzia. A gente viu que dava futuro e se interessou. Graças a Deus tá dando certo”, relembra.

O começo foi de improviso e poucas condições. “No início foi bastante difícil. A gente fez assim meio que por cima mesmo, sem muito conhecimento. Sem contar que as condições eram poucas. Mas aí a gente não desistiu e plantou 10 mil, no caso 3 hectares primeiro. E depois, um ano depois, a gente plantou mais outros 10 mil, mais 3 hectares.”
Hoje, a propriedade soma 6 hectares e 20 mil mudas de café, sinal de que a persistência deu frutos. Mas Patrick não fala em expansão de área: fala em qualidade. “A expectativa é grande, né? A gente tenta aumentar mais a produção, mas, por enquanto, vamos tentar aumentar a produção por hectare, não em quantidade de hectare”, explica.
Até mesmo a participação no concurso surgiu de forma inesperada. “A gente nem estava pensando em participar. Mas aí a coordenadora veio, mais um agrônomo, e incentivaram. A gente disse: vamos participar então. É a primeira vez, né? E a gente entrou, foi fundo mesmo, tentando fazer do jeito certo. E tá dando certo.”

Aos 26 anos, Patrick encara sua primeira safra como quem descobre um horizonte. Entre poeira de ramal, o verde das lavouras e a esperança que brota no olhar, sua história traduz o espírito do Dia Internacional do Café: celebrar não apenas a bebida, mas também a coragem de quem planta sonhos e colhe reconhecimento no Acre.
A trajetória de Patrick é apenas o começo desta série especial do Correio OnLine sobre o café acreano. Amanhã, será a vez de conhecer a história de seu irmão Daniel, que deixou a pecuária para descobrir no café um novo caminho e, assim como Patrick, também chegou à final do Qualicafé.
