Da mandioca à goma: a força e a tradição do produtor Ferreirinha no Festival da Macaxeira

Foto: Portal Correio online

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Entre o cheiro da farinha torrando e o barulho das máquinas, o Correio OnLine descobriu um dos espaços mais autênticos do Festival da Macaxeira: a Casa de Extração de Goma, comandada por José Ferreira, mais conhecido como seu Ferreirinha. O produtor, que hoje é referência na fabricação artesanal de goma e farinha puba no Acre, transformou um acidente de trabalho em 2014 em ponto de virada para sua vida.

“Quando me acidentei e não pude mais trabalhar na minha função, resolvi abrir a casa de extração. Começamos com um trabalho simples, mas com o foco no produto. Hoje temos oito famílias que dependem dessa produção”, conta ele, com o orgulho de quem construiu tudo com as próprias mãos.

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A casa de Ferreirinha, localizada no ramal Belo Jardim, no Seringal Catuaba, tornou-se ponto turístico. “Recebemos visitantes até de outros países”, celebra. O local, além de ser espaço de trabalho, virou vitrine da agricultura familiar e símbolo de resistência e inovação no campo acreano. “A gente compra a produção dos produtores e também planta. Já temos quase um milhão de pés de macaxeira”, explica.

Do roçado à feira

Durante o festival, Ferreirinha trouxe uma variedade de produtos à base de mandioca: goma fresca, caroço de tapioca, farinha branca, farinha puba, bolo de macaxeira, pé de moleque e tapioca. O destaque vai para a farinha puba — produto de sabor marcante e preparo cuidadoso.

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“A gente arranca e casca a macaxeira no mesmo dia. Depois coloca de molho e, em dois ou três dias, ela está no ponto pra torrar. É a mais vendida, ninguém faz igual”, garante. Mas o carro-chefe continua sendo a goma, “a mais procurada tanto no festival quanto na casa de farinha”.

Com um sistema próprio de maquinário, o produtor mostra que tradição e inovação podem caminhar juntas. “A máquina de tirar goma produz 1.300 quilos por dia. Nossa produção semanal chega a 2.500 ou até 3.000 quilos”, detalha. Ele explica o processo com paciência e orgulho, como quem fala de um filho: “A gente entra às seis, sete da manhã, e só para dez, onze da noite. É um trabalho pesado, mas o resultado vale a pena”.

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A qualidade do produto também é motivo de destaque. “A minha goma é especial. É a melhor que tem hoje no Estado”, afirma com segurança.

Os produtos de Ferreirinha podem ser encontrados no CEASA, em Rio Branco, “na banca da Dona Lidiane”, e também na própria casa de extração, que virou destino obrigatório para quem quer conhecer o ciclo completo da mandioca — da raiz à goma.

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