Cuba rejeita pressão dos EUA e alerta para crise econômica após corte de petróleo venezuelano

Foto: Adalberto Roque/AFP

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O governo de Cuba reagiu com firmeza às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que anunciou o fim do envio de petróleo e recursos financeiros da Venezuela para a ilha caribenha. Em resposta oficial, o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, afirmou que o país nunca recebeu compensação financeira por supostos “serviços de segurança” prestados à Venezuela e criticou duramente o tom das declarações americanas.

Rodríguez destacou que Cuba tem o direito soberano de importar combustível de qualquer país que esteja disposto a vendê-lo, sem interferência externa. Ele também acusou os Estados Unidos de adotar uma postura de “chantagem e coerção”, afirmando que Havana obedecerá apenas às leis internacionais e à sua própria soberania.

O governo cubano ressaltou ainda que o direito e a justiça estão ao lado de Cuba e classificou o comportamento americano como “hegemonia descontrolada que ameaça a paz e a segurança hemisférica”. A resposta ocorre em meio a uma escalada de tensões após a tomada do poder na Venezuela pelos EUA e a consequente interrupção das exportações venezuelanas de petróleo para a ilha.

Impactos econômicos e geopolíticos

Cuba depende historicamente de petróleo venezuelano para manter sua economia em funcionamento, especialmente para abastecimento de energia, transporte e produção industrial. Esse fluxo de combustível, até então negociado por décadas entre Havana e Caracas, representava uma parte crucial da matriz energética cubana.

Com o anúncio de que o país deixará de receber petróleo e dinheiro da Venezuela, especialistas e analistas alertam para um potencial agravamento da crise econômica já existente na ilha. Cuba enfrenta dificuldades prolongadas, com escassez de energia, apagões frequentes, falta de combustíveis e agravamento de indicadores sociais, como dificuldade de acesso a alimentos, transporte e serviços básicos.

A interrupção desse fluxo coloca Cuba diante de um momento crítico, já que alternativas de fornecimento de energia são limitadas e a ilha continua sob um pesado embargo econômico dos Estados Unidos que perdura desde a década de 1960. Esse embargo tem impactado profundamente o crescimento econômico cubano, reduzido investimentos e prejudicado a estabilidade do país em diferentes setores.

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