As ações do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) na Reserva Extrativista Chico Mendes foi o principal tema de debate na Assembleia Legislativa do Acre, na terça-feira, 17. Deputados estaduais subiram à tribuna para denunciar o que classificaram como abusos cometidos contra famílias produtoras no interior do estado, em especial nas áreas afetadas pela operação federal que resultou na destruição de currais e apreensão de animais.
O tom predominante foi de revolta, clamor por respeito aos trabalhadores do campo e críticas à condução da política ambiental na região.
O deputado Marcus Cavalcante (PDT) abriu os discursos com um pronunciamento inflamado. Produtor rural, ele afirmou que o Acre está sendo sacrificado em nome da boa imagem do Brasil no exterior. “Essa operação tem, sim, as digitais do governo federal. Estamos sendo sacrificados para que o Brasil apareça bem na foto lá na Europa, para agradar países como Alemanha, Noruega e França, à custa do sangue do nosso povo”, denunciou.

Cavalcante chamou as ações de “massacre disfarçado de operação ambiental” e lamentou o sofrimento das famílias que, segundo ele, estão tendo suas casas e currais destruídos sem diálogo ou alternativa. “É triste ver homens e mulheres de mãos calejadas, crianças vendo suas casas serem destruídas. Isso é o fruto de uma vida inteira dedicada ao trabalho”, afirmou.
Na mesma linha, a deputada Michelle Melo (PDT) destacou o impacto social e econômico da crise, que segundo ela ameaça empurrar o Acre para um colapso alimentar. “Esse não é um problema isolado, é um problema de todos nós. Quando se prejudica o produtor rural, se prejudica toda a população. São eles que garantem o alimento na nossa mesa”, disse.
A parlamentar cobrou ainda do governo do Estado a regulamentação de uma legislação estadual construída com apoio do Parlamento, que visava justamente oferecer saídas legais aos pequenos produtores. “Foram meses de trabalho e até agora o governo sequer regulamentou essa lei. Por quê? Porque não é prioridade”, criticou.

O deputado Tadeu Hassem também se somou ao coro de indignação e chamou atenção para os impactos já sentidos na região do Alto Acre. Segundo ele, frigoríficos deixaram de receber animais e transportadoras se recusam a atuar por medo de represálias. “E, para piorar, os insumos desses animais estão sendo levados para outros estados, como se as crianças do Acre não precisassem se alimentar também”, protestou.
Hassem defendeu a revisão das leis que regem as reservas e sugeriu que o debate seja levado à esfera federal. “O Acre cresceu, nosso povo evoluiu, nossa economia também. Essa lei precisa, urgentemente, ser revista num foro adequado, que é Brasília”, concluiu.
Com discursos emocionados e firmes, os parlamentares reforçaram o compromisso com o setor produtivo e pediram o fim imediato das operações que, segundo eles, estão humilhando e desestruturando famílias inteiras.

A criação de uma Frente Parlamentar em Defesa do Agro foi citada como resposta política à crise, assim como o compromisso de pressionar autoridades estaduais e federais por soluções duradouras e justas.
