Rio Branco, Acre - sexta-feira, 06 março, 2026

Crise na COP30: preços abusivos e baixa adesão internacional marcam reta final

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A menos de 80 dias para a COP30, marcada para novembro em Belém (PA), a organização do evento enfrenta um impasse que expõe a pressão internacional sobre o Brasil: até agora, apenas 47 dos 196 países participantes confirmaram presença. O principal entrave está no alto custo das hospedagens, que provocou queixas formais de delegações e levou a ONU a pedir que o governo brasileiro subsidie os gastos de países em desenvolvimento.

De acordo com balanço divulgado pela Casa Civil e pela Secretaria Extraordinária para a COP30 (Secop), 39 países garantiram hospedagem pela plataforma criada pelo governo federal, a maioria deles nações em desenvolvimento. Outros oito — Egito, Espanha, Portugal, República Democrática do Congo, Singapura, Arábia Saudita, Japão e Noruega — fecharam diretamente com hotéis. Os demais aguardam negociações de preços ou apoio financeiro para confirmar a participação.

A ONU sugeriu que o Brasil arcasse com parte dos custos de hospedagem, mas o pedido foi rejeitado. A secretária-executiva da Casa Civil, Miriam Belchior, argumentou que o país já cobre gastos expressivos com a realização do evento e defendeu que a própria ONU aumente o valor do subsídio pago às delegações. Atualmente, a diária de referência para Belém é de US$ 140 (cerca de R$ 756), incluindo hospedagem e alimentação. Na prática, no entanto, os preços disponíveis na plataforma chegam a US$ 350 por dia — aproximadamente R$ 1,9 mil.

O governo brasileiro afirma que negocia para reduzir os valores e acionou órgãos de fiscalização contra práticas abusivas. Segundo Belchior, o desafio é conciliar os custos da iniciativa privada com a necessidade de garantir a presença de países mais pobres: “Vivemos em uma democracia e temos limites de intervenção no setor privado, mas seguimos negociando no limite para que os preços baixem”.

O cenário amplia a pressão internacional sobre o Brasil às vésperas de uma das conferências climáticas mais importantes dos últimos anos. Para além do debate ambiental, o país anfitrião precisará enfrentar a equação logística e política que pode comprometer a representatividade global da COP30, se a barreira econômica inviabilizar a participação de parte significativa das delegações.

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