Rio Branco, Acre - quinta-feira, 05 março, 2026

“Criança com deficiência é impedida de estudar por falta de cuidador em escola municipal, denuncia vereador”

Foto Assessoria

O vereador André Kamai (PT), em pronunciamento na Câmara Municipal de Rio Branco, na quarta-feira, 4, denunciou o que classificou como um “quadro de abandono e descaso estrutural” nas escolas da capital. Segundo ele, crianças com deficiência estão sendo impedidas de frequentar a sala de aula por falta de profissionais capacitados, enquanto o Executivo mantém eventos milionários e anuncia caixa bilionário.

Na oportunidade, o parlamentar relatou o caso de Rafael, uma criança com múltiplas deficiências, que precisa ser alimentada por sonda e, por isso, depende da atuação de um cuidador treinado dentro da escola. A mãe do menino, segundo o vereador, ao tentar transferi-lo para uma unidade mais próxima de casa, foi surpreendida pela Secretaria de Educação com a possibilidade do filho ficar sem estudar.

“Hoje, o Rafael está fora da escola. Não está tendo o direito de conviver, de aprender, de se alimentar com dignidade. A Prefeitura falhou com ele e com tantas outras crianças”, afirmou Kamai.

Além disso, o vereador relatou o quadro crítico de infraestrutura e falta de recursos nas escolas de Rio Branco. Segundo ele, professores estão fazendo “vaquinhas” para comprar merenda, há falta de materiais básicos, e merendeiras levam facas e utensílios de casa para garantir o preparo dos alimentos.

Kamai também citou falhas no fornecimento de equipamentos prometidos pelo poder público. Tablets e notebooks distribuídos a professores, de acordo com denúncias, apresentaram defeitos logo no primeiro ano de uso e não receberam assistência técnica.

A fala do parlamentar foi embasada nas mobilizações recentes de servidores da educação, que ocuparam a frente da Câmara exigindo recomposição salarial e melhores condições de trabalho. Os trabalhadores estão há três anos sem reajuste inflacionário, segundo Kamai. “Como é possível o município dizer que tem quase meio bilhão em caixa, promover evento esportivo de R$ 800 mil e, ao mesmo tempo, obrigar uma mãe a abandonar o trabalho para garantir que o filho com deficiência possa se alimentar na escola?”, questionou o vereador.

A ausência de cuidadores capacitados também escancara, segundo ele, o uso indevido de servidores, como porteiros e merendeiras, para funções de cuidado especializado — mesmo havendo aprovados em concurso público aguardando convocação.

Kamai encerrou o discurso com um apelo ao Legislativo e à sociedade: “é preciso romper com essa lógica de propaganda e enfrentar a realidade dentro das escolas. Não podemos naturalizar o abandono.”

A Secretaria Municipal de Educação ainda não se manifestou sobre o caso.

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