Rio Branco, Acre - quarta-feira, 18 março, 2026

Crédito travado e entraves ambientais expõem crise no campo durante debate na Aleac

Foto: Correio online

Foto: Correio online 

O avanço de restrições ambientais e a dificuldade de acesso ao crédito rural dominaram o debate realizado na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), reunindo lideranças do campo e parlamentares em torno de um cenário que já impacta diretamente a economia do estado.

Durante o encontro, solicitado pelo deputado Anísio Sá, presidente da Comissão de Agricultura, o presidente da Associação dos Pequenos e Médios Produtores Rurais da Transacreana, José Augusto Pinheiro, chamou atenção para a realidade enfrentada por quem vive da produção rural. “Tem produtor que saiu de casa três horas da manhã, na lama, montado a cavalo, para estar aqui debatendo o futuro do campo”, afirmou.

Segundo ele, o setor vive um momento de insegurança, especialmente diante das exigências ambientais que, na prática, têm impedido o acesso a financiamentos. “Hoje o produtor tem dinheiro no banco, mas não consegue acessar. O projeto vai e volta por causa de pendências ambientais”, disse.

O debate também expôs um impasse estrutural: enquanto novas exigências, como o rastreamento do rebanho bovino, avançam, problemas antigos seguem sem solução. “Não dá para avançar com novas exigências sem resolver o básico: regularização fundiária e ambiental”, criticou o líder rural.

Na prática, a falta de infraestrutura e de políticas públicas voltadas à diversificação produtiva acabou consolidando a pecuária como principal atividade econômica do estado. “A pecuária se fortaleceu porque faltou acesso. O boi anda, passa no ramal, atravessa o rio. Outras produções não conseguem”, explicou.

Outro ponto levantado foi a perda de valor dentro da cadeia produtiva. “Os bezerros estão saindo do estado para engorda fora. Estamos perdendo valor dentro da nossa própria produção”, destacou Pinheiro, ao defender maior investimento para manter a renda no Acre.

Além do impacto econômico, o presidente da associação alertou para as consequências sociais do cenário atual. “Se o produtor parar, esse povo vai para a cidade. E a cidade já não suporta mais”, afirmou.

O encontro reuniu produtores rurais, deputados estaduais e representantes de instituições públicas para discutir temas estratégicos como sanidade animal, regularização fundiária, rastreabilidade bovina e revisão dos módulos fiscais — pautas consideradas centrais para o futuro da economia acreana.

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