*Por Valterlucio Bessa Campelo
Nesta segunda-feira, [o senador Alan Rick, candidato ao governo do Acre, deu entrevista ao programa Café com Notícias, do Washington Aquino, oportunidade em que, além de responder as perguntas do entrevistador a respeito de suas pretensões, desfiou uma série de acusações contra a governadora e seu entorno.
Não é fácil nomear sem medo de patrulha as mesquinharias da sua concorrente e do governo de modo geral. O foco, depois de várias entrevistas, passou à corrupção generalizada. Nada ficou de fora. Pontuo:
a) Propinagem na antessala da governadora – consta, segundo o candidato, que a polícia federal investiga o balcão em que o marido da governadora, Sr. Madson Cameli. A taxa de 30% sobre pagamentos teria sido adotada como praxe pelo chefe de gabinete em sua tarefa de arrecadação de grana para a campanha.
b) A violência contra a mulher – o mesmo Sr. Madson, Chefe de Gabinete e marido da atual governadora responde a processo por violência física à sua ex-esposa, o que contraria a Lei Estadual que proíbe a nomeação de agressores de mulheres. Ironicamente, a autora da Lei, deputada Michelle Melo, apoia a governadora.
c) A violência da campanha – com o uso indiscriminado do poder político e financeiro, a candidata opositora tem, segundo o candidato, utilizado de todos os expedientes reprováveis para realizar manifestações com a participação obrigatória do funcionalismo, mormente dos ocupantes de cargos comissionados.
d) Política rasteira – segundo o candidato, a campanha da governadora, sem casos a pontar, teve a desfaçatez de trazer a Rio Branco e pagar a um funcionário da LATAM, para potencializar um caso antigo em que o senador teria se exasperado e elevado o tom de voz em desentendimento no balcão da companhia.
e) Diploma falso – o senador trouxe à baila, mais uma vez, o caso escabroso, por todos os motivos indecente, de compra de diploma de pedagogia em faculdade do entorno de Brasília. Este caso, que vem sendo altamente veiculado nas mídias sociais é matéria praticamente proibida no jornalismo, embora já seja razão de pedido na justiça eleitoral mediante uma AJIE impetrada na última semana.
Nem dá para escolher uma dessas feridas como principal, então façamos uma rápida alusão aos efeitos sociais de cada uma das vilezas constantes do portfólio governista.
A cobrança de vantagens indevidas em troca de pagamentos públicos compromete a integridade da administração e desvia recursos que deveriam atender a serviços e políticas públicas. Também encarece contratos, reduz a concorrência entre fornecedores e favorecer grupos com acesso privilegiado ao poder. Além do prejuízo financeiro, a suspeita de uso da estrutura estatal para arrecadação eleitoral enfraquece a confiança nas instituições e transmite à população a ideia de que o acesso a direitos e serviços depende de relações políticas.
A violência contra a mulher causa danos físicos e psicológicos, afeta famílias e comunidades e reforça padrões de desigualdade e intimidação. No âmbito institucional, uma nomeação em desacordo com a compromete a credibilidade das políticas de prevenção à violência e passar a percepção de que as regras são aplicadas seletivamente.
Constranger servidores a participar de atos políticos limita a liberdade de escolha e transforma relações de trabalho em instrumentos de mobilização eleitoral. Isso enfraquece a impessoalidade do serviço público, reduz a autonomia dos funcionários e criar receio de retaliação para quem não adere. O uso da estrutura estatal em benefício eleitoral também prejudica a igualdade entre candidaturas e a confiança de que os recursos públicos são administrados em favor da coletividade.
A exploração deliberada de um episódio antigo e fora de contexto desloca o debate eleitoral de propostas e resultados para ataques pessoais. Isso tende a reduzir a qualidade da informação disponível ao eleitor e incentivar campanhas baseadas em constrangimento ou desinformação. A falta de propostas é substituída pela desinformação.
A obtenção irregular de um diploma compromete radicalmente a confiança nos sistemas de ensino e de certificação profissional, além de prejudicar pessoas que obtiveram sua formação por meios regulares. Que autoridade moral tem uma pessoa que falsifica diploma para administrar o sistema de ensino público no Estado? Como essa pessoa põe os pés numa faculdade? Como se dirige a uma autoridade do MEC? É uma vergonha imensa em si mesma, e uma desonra para todos os pais, irmãos e estudantes que ao longo de anos se sacrificam para obtenção de um título legítimo. Isto sem contar as penalidades cabíveis.
Enfim, o senador ousou sair um pouco do itinerário de propostas para cutucar o tumor de onde só pode sair pus. A bola está com a governadora que deverá ir ao mesmo programa nos próximos dias. Irá? Duvi-d-o-do. A campanha da governadora está centrada na gravação de vídeos bem cortados e dirigidos e na demonstração de força em carreatas e manifestações de militantes regiamente pagos. Não creio que enfrente as 5 questões acima de modo reto e confiável.
Ao cabo sobrará um vazio de respostas e uma candidata sem brio, talvez se escudando em discursos mimizentos. Confia que dinheiro pode tudo, que poder político é suficiente. Será? Sou dos que continuam lutando contra tudo isso, logo, acredito que há saída melhor que continuar essa rotina despudorada de assalto ao erário e de desprezo à moral. Eleitor, coragem!
Valterlucio Bessa Campelo escreve semanalmente nos sites AC24HORAS, DIÁRIO DO ACRE, ACRENEWS e, eventualmente, no site Liberais e Conservadores do jornalista e escritor PERCIVAL PUGGINA, no VOZ DA AMAZÔNIA e em outros sites. Seu último livro, o ensaio político-filosófico “O anel progressista: como o poder tutelar se torna invisível”, está à venda pela editora independente UICLAP
