Foto Sérgio Vale
Com colheitas recordes e modelo de produção sustentável, cooperativa do Juruá mostra que o futuro do café amazônico nasce da força coletiva.
No coração do Vale do Juruá, o som das peneiras e o cheiro do café seco no terreiro anunciam um novo tempo. A Cooperativa de Café do Juruá (Coopercafé), que há poucos anos lutava para garantir estrutura e mercado para seus associados, alcançou em 2025 um resultado histórico: mais de 10 mil sacas colhidas, com previsão de ultrapassar 25 mil sacas na próxima safra.
O avanço é reflexo direto da união de produtores, do apoio técnico de instituições parceiras e da visão estratégica de transformar o café em um produto de exportação sustentável. Sob a liderança de Jonas Lima, a Coopercafé se tornou referência em organização produtiva e qualidade sensorial, abrindo espaço para que pequenos agricultores do interior do Acre cheguem a mercados até então inimagináveis.
“Nós sempre acreditamos no potencial do nosso café, mas agora temos quem olhe pra ele com o valor que merece. Essa missão internacional da ApexBrasil foi o primeiro passo pra mostrar que o que nasce aqui tem qualidade e história”, afirmou Jonas.
O Vale do Juruá, região antes marcada por dificuldades logísticas e isolamento econômico, começa a se destacar como polo de café robusta amazônico. As propriedades familiares que abastecem a cooperativa cultivam em sistemas agroflorestais, recuperando áreas degradadas e diversificando a produção com espécies nativas e frutíferas.
Durante a missão internacional realizada em Rio Branco, amostras da Coopercafé chamaram a atenção de compradores estrangeiros, especialmente pelo equilíbrio entre sabor e sustentabilidade. “Esses cafés têm a força da floresta e o cuidado de quem trabalha com amor à terra”, comentou um dos especialistas estrangeiros que participou da degustação.
Para Jonas, o desafio agora é ampliar a infraestrutura e investir em capacitação. “A próxima etapa é consolidar um centro de beneficiamento e torrefação dentro da própria cooperativa, garantindo valor agregado e independência. O Acre pode ser pequeno em território produtivo, mas é gigante em potencial.”
