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O debate sobre conservação do solo marcou a manhã desta sexta-feira na Tarauacá Rural Show, em um momento considerado estratégico para o futuro da produção no Acre. O professor doutor Édson Alves de Araújo, da Universidade Federal do Acre (Ufac) Cruzeiro do Últimos, destacou que o estado possui realidades contrastantes quando se trata da fertilidade dos solos, o que exige atenção e planejamento para evitar perdas e ampliar a produtividade.
Segundo ele, é possível dividir o Acre em grandes ambientes. Nas áreas mais próximas aos rios, os chamados “ambientes de praia”, os solos apresentam boa fertilidade e potencial produtivo. Já nas regiões de terra firme, os cenários variam: há solos férteis, como os encontrados em municípios do Vale do Tarauacá-Envira, mas também áreas rasas, suscetíveis ao acúmulo de água, que demandam uso mais criterioso.
“Não é possível usar esses solos com a mesma intensidade das grandes lavouras de soja e milho. Eles pedem manejo com mais cuidado e parcimônia”, explicou Araújo.
O pesquisador ressaltou que conservar a fertilidade das áreas já abertas é o caminho para evitar novos desmatamentos. “O solo é vida. Se deixamos exposto, ele perde água, nutrientes e temperatura, além da própria biodiversidade. O fundamental é manter cobertura e adotar práticas que reduzam a erosão”, afirmou.
Apesar dos avanços, Araújo reconheceu que ainda falta informação detalhada sobre os solos acreanos. “Temos carência de levantamentos em escalas mais precisas. Sem esse retorno técnico, o agricultor — seja pequeno ou grande — fica sem base para planejar suas atividades”, disse.
Na Ufac, os projetos de pesquisa e pós-graduação têm buscado preencher essa lacuna. O professor citou como exemplo os estudos sobre ecossistemas específicos, como as campinaranas do Juruá, que possuem solos arenosos e florestas únicas, hoje alvo de pesquisas voltadas à recuperação e conservação.
Para ele, o grande desafio está em traduzir o conhecimento científico em linguagem acessível para o agricultor familiar. “A ponta está lá. Produzimos conhecimento, mas muitas vezes ele não chega de forma aplicada a quem precisa tomar decisões na roça. É fundamental levar essas informações de maneira prática”, enfatizou.
Ao concluir sua fala, Araújo destacou o foco do debate desta manhã: discutir o potencial e as restrições dos solos acreanos e avançar no diálogo sobre manejo sustentável, com destaque para culturas como o café, que vêm se expandindo no estado.
