MC Danilo Boladão, um dos maiores nomes do funk de São Paulo
Divulgação
MC Danilo Boladão, grande nome do funk de São Paulo, morreu nesta quarta-feira (11), aos 47 anos. Nos últimos anos, diferentemente do gênero que hoje domina as plataformas de streaming, ele esteve longe dos holofotes. Mas já houve uma época em que o funkeiro rivalizava com Charlie Brown Jr.
Na segunda metade dos anos 1990, Danilo fez dupla com Fabinho e foi um dos grandes nomes do funk consciente nos primórdios do gênero em São Paulo. Em 2000, o funkeiro foi preso por relação com os chamados bondes (ou gangues de bairro) em Santos.
De dentro da penitenciária em São Vicente, Danilo e Fabinho lançaram dois álbuns produzidos pelo DJ carioca Grandmaster Raphael: “Junte-Se A Nós” e “Sempre Te Ter”. Eles se tornaram clássicos do estilo. Para se ter uma ideia, singles da dupla no YouTube têm milhões de visualizações.
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À época, o funk em São Paulo tinha como principais fontes de divulgação as rádios comunitárias e os camelôs, que vendiam CDs.
Graças a essas fontes, as músicas da dupla foram longe e se tornaram hinos do funk para além das fronteiras de Santos. O single “Última Reza”, por exemplo, virou sucesso em Minas Gerais e até hoje é cantada nos estádios pela principal torcida organizada do Atlético Mineiro, a Galoucura.
No entanto, Danilo ficou preso entre 2000 e 2004, e nesse meio tempo o público seguia aguardando para um show com os sucessos da dupla feitos na cadeia.
Em entrevista recente, Fabinho contou que vendedores chegaram a anunciar apresentações como se os dois MCs fossem estar presentes. “Tinha uns caras que, de má-fé, anunciavam Danilo e Fabinho nos bailes. E eu chegava nos bailes e o público perguntava: ‘e o Danilo?’. Foi difícil”, disse o MC Fabinho, em entrevista ao podcast “Magia do Funk 013”.
Mc Danilo Boladão está internado após passar por cirurgia para retirada de necrose
Arquivo pessoal
O grande show da volta aconteceu em meados de 2004, no Clube Atlético dos Portuários, em Santos, principal casa de shows da cidade no começo do século. Segundo registros da época, havia cerca de 15 mil pessoas no local. O número se tornou mais relevante dado o contexto da época. Também nascido em Santos, o Charlie Brown Jr. não conseguiram bater essa marca.
Depois do sucesso do álbum “Bocas Ordinárias”, o grupo liderado por Chorão (que também morou no BNH, mesmo bairro de Danilo) vinha do recém-lançado “Acústico MTV” e havia feito, no mesmo Portuários, um show histórico. Mas Danilo e Fabinho colocaram mais gente na casa.
“A gente bateu Roberto Carlos, Ivete Sangalo e um recorde do Charlie Brown. Quando a gente estava no camarim, uma galera da diretoria do Portuários nos entregou uma placa, falando que a gente tinha batido o recorde de público. A gente nem acreditava naquele tanto de gente”, disse MC Danilo Boladão ao g1 em 2015.
