Rio Branco, Acre - quarta-feira, 07 outubro, 2026

Como é escolhido o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura

Como é escolhido o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura

László Krasznahorkai, Nobel de Literatura em 2025
Matt Dunham/AP
Na quinta-feira (08), todos os olhos do mundo literário estarão voltados para Estocolmo. Quando o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 2026 será anunciado pela Academia Sueca, encerrando um longo processo de seleção iniciado oficialmente um ano antes. Neste ano, a escritora chinesa Can Xue aparece como favorita. A canadense Margaret Atwood e o indiano-britânico Salman Rushdie são outros fortes concorrentes.
A Academia Sueca é a instituição responsável pela concessão da láurea. Seus 18 membros são escritores, professores e intelectuais. Em setembro do ano anterior, o Comitê Nobel da Academia envia formulários a centenas de pessoas e organizações aptas a fazer indicações ao Prêmio Nobel de Literatura.
Segundo o site do Nobel, esse grupo inclui professores de literatura e linguística de universidades e faculdades, laureados anteriores do Nobel de Literatura e dirigentes de associações de escritores que representam a comunidade literária em seus respectivos países. Qualquer integrante de um desses grupos que não tenha recebido o formulário também pode apresentar uma indicação.
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“A lista pode chegar a 200 nomes de autores indicados por ano”, explica Gisele Sapiro, diretora de pesquisa do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França. Ela estuda como o Prêmio Nobel, enquanto instituição global, influencia a circulação internacional da literatura, as relações de poder no mundo literário e os mercados de tradução. “O comitê também pode acrescentar nomes por conta própria, como autores indicados em anos anteriores.”
No segundo trimestre do ano seguinte, o Comitê Nobel seleciona cinco nomes por meio de um processo com várias etapas e os apresenta à Academia. Entre junho e setembro, os integrantes da Academia leem as obras dos indicados e as discutem. A decisão é sempre anunciada no início de outubro.
Quanto aos critérios utilizados pela Academia para tomar sua decisão, a instituição prefere mantê-los em sigilo.
Os arquivos secretos do Nobel de Literatura
O público só descobre quais candidatos ficaram de fora após 50 anos, prazo que a Academia espera antes de divulgar a lista de indicados.
Às vezes, passam-se décadas entre a primeira indicação de um autor e a conquista efetiva do prêmio. O escritor dinamarquês Johannes V. Jensen, vencedor do Nobel de Literatura em 1944, esperou 40 anos. Doris Lessing recebeu a premiação em 2007, após 35 anos de espera, enquanto Thomas Mann, laureado em 1929, aguardou 27 anos.
Em seu testamento, Alfred Nobel, criador da premiação, estabeleceu que ela deveria ser concedida à pessoa que tivesse produzido “a obra mais destacada em uma direção idealista”. A formulação deixa ampla margem para interpretação.
Segundo Gisele Sapiro, a Academia busca homenagear uma literatura ambiciosa e influente, capaz, por exemplo, de dar origem a um novo movimento literário. “Ao mesmo tempo, a obra precisa ser universal, capaz de transcender sua própria cultura”, afirma.
As traduções podem ser um indício disso. “Observei em minha pesquisa, porém, que todos os laureados desde 1990 haviam sido traduzidos para o inglês, o francês e o alemão, com exceção de Abdulrazak Gurnah [o laureado tanzano-britânico de 2021], que não havia sido traduzido para o alemão antes de vencer. Por isso, acredito que essas três línguas sejam as mais importantes”, explica Sapiro.
Ela acrescenta que também é uma grande vantagem para os indicados já terem recebido outros importantes prêmios literários, como o International Booker Prize, o Prêmio Cervantes ou o Prêmio Büchner.
Qualquer gênero pode ser premiado
A política também pode influenciar as decisões da Academia Sueca. Em várias ocasiões, o prêmio foi concedido a escritores que se opunham abertamente aos regimes de seus países, como a escritora belarussa Svetlana Alexievich, vencedora em 2015. Ela é uma crítica contundente do presidente autoritário Alexander Lukashenko.
Já o gênero literário não faz diferença. Ao longo da história, foram premiados não apenas romances, mas também poesia e peças teatrais. Em 2016, o cantor e compositor Bob Dylan recebeu o prêmio por suas letras de música.
Até hoje, apenas 33 dos 122 laureados vieram de fora da Europa. Também há um claro desequilíbrio de gênero: somente nos últimos oito anos homens e mulheres passaram a se alternar entre os vencedores, o que elevou significativamente a participação feminina no total de laureados para 14,9%.

Fonte: G1

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