Rio Branco, Acre - terça-feira, 31 março, 2026

Com obra autorizada, Capixaba entra na nova fase da indústria do café no Acre

Foto: Assessoria 

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O avanço da industrialização no campo começa a ganhar contornos mais concretos no Acre. A autorização para a construção da indústria de beneficiamento de café em Capixaba reforça um movimento que vai além da produção rural: trata-se de inserir pequenos produtores em uma lógica industrial, com acesso a tecnologia, mercado e renda ampliada.

A ordem de serviço foi assinada na sede da COOPERACRE, em Rio Branco, dentro de um pacote de investimentos que soma R$ 14,7 milhões, viabilizado por convênio com a ABDI. Parte desse recurso — R$ 6,5 milhões — será aplicada diretamente na unidade de Capixaba.

Em conversa com a equipe do Portal Correio Online, a diretora da ABDI, Perpétua Almeida, destacou que o projeto representa uma mudança de rota dentro da própria política industrial brasileira. “Quando chegamos à ABDI, a atuação era voltada para grandes empresas e grandes indústrias. O que estamos fazendo agora é diferente: estamos levando essa lógica para os pequenos, industrializando a produção das cooperativas e colocando tecnologia na mão de quem sempre ficou à margem desse processo”, afirmou.

A nova unidade faz parte de um conjunto mais amplo que prevê duas indústrias de café — em Capixaba e Acrelândia — dentro de um convênio de R$ 13 milhões. Ao todo, segundo a diretora, o estado já soma cinco estruturas industriais em implantação ou funcionamento, incluindo unidades voltadas ao café e ao açaí. “É desenvolvimento na prática. Quando a indústria chega, ela otimiza processos, gera emprego, aumenta a renda e transforma a realidade de uma região inteira”, disse.

Os impactos já são observados em experiências anteriores. Ainda de acordo com Perpétua, a unidade instalada no interior do estado elevou a arrecadação municipal e multiplicou a renda das famílias. “Tem prefeitura arrecadando mais, famílias que triplicaram a renda e pessoas que deixaram de depender de programas sociais. Isso mostra que industrializar a produção muda de verdade a vida de quem está na ponta”, destacou.

Com o café do Acre ganhando espaço em mercados mais exigentes, o cenário também começa a mudar fora do estado. “Hoje o café do Acre já chama atenção. Em São Paulo, empresários já estão negociando a próxima safra com cooperativas do Juruá. A indústria vai permitir que o produto seja beneficiado e vendido quase ao mesmo tempo”, afirmou.

Com obras previstas para começar nos próximos dias e outras unidades já em andamento, o projeto se consolida como uma aposta na transformação econômica a partir do campo. “Estamos pegando o que os pequenos produzem e colocando tecnologia e indústria nesse processo. Isso significa mais dinheiro no bolso de quem mais precisa”, concluiu.

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