Na pista de julgamento da Expoacre 2025, o que se viu foi mais do que uma competição. A presença imponente dos exemplares da raça Sindi, vindos de oito criatórios acreanos, escancarou uma realidade que até pouco tempo era silenciosa: o Acre está se tornando referência nacional na criação desse zebuíno de dupla aptidão, vindo do Paquistão e adaptado com sucesso à Amazônia.
Com genética refinada e resultados que impressionam, os animais competiram em diversas categorias, da fase neonatal até os 60 meses de idade. O julgamento, técnico e criterioso, levou em conta características como conformação morfológica, tipicidade racial, pelagem, estrutura corporal e potencial produtivo – tanto para carne quanto para leite. O regulamento, considerado extenso por muitos criadores, exige atenção aos mínimos detalhes e conhecimento técnico para garantir pontuações altas.
Para o pecuarista Valmir Ribeiro, da Estância Terra, a participação na Expoacre vai muito além de uma simples exibição. “Não é da noite pro dia que a gente constrói um rebanho PO [puro de origem]. São décadas de trabalho com genética, embriões e seleção criteriosa. Estamos aqui mais uma vez para o julgamento, com muita expectativa, como sempre”, disse.
Com 35 anos de participação ininterrupta na feira, Valmir é considerado um dos maiores criadores da raça no Acre. Segundo ele, técnicas como a fecundação in vitro (FIV) têm sido fundamentais para o avanço do rebanho. “Temos vacas com mais de 100 filhos e apenas 8 anos de idade. É genética e tecnologia andando lado a lado”, completa.
A raça Sindi, conhecida por sua rusticidade e resistência a climas extremos, tem ganhado espaço em diversas regiões brasileiras, especialmente pela capacidade de produção leiteira em ambientes de baixa exigência nutricional. Estudos apontam que, além da adaptabilidade, a raça apresenta leite com alta frequência do gene A2A2, fator que tem chamado a atenção do mercado consumidor preocupado com saúde e digestibilidade.
Para os criadores, o fortalecimento da raça no Acre é reflexo de um esforço conjunto entre dedicação, tecnologia e valorização do ambiente amazônico. “A Expoacre é o palco onde mostramos que o Acre sabe produzir com qualidade, responsabilidade e alto padrão genético. Este ano, o volume e a qualidade dos animais mostram que estamos no caminho certo”, avaliou Valmir.




