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A colheita da safra brasileira de café 2026/2027 segue em andamento, porém ainda abaixo do ritmo considerado ideal para o período. Levantamento divulgado pela consultoria Safras & Mercado mostra que, até a primeira quinzena de julho, aproximadamente 64% da área cultivada no país havia sido colhida. Embora o percentual represente avanço em relação às semanas anteriores, o desempenho permanece inferior ao registrado no mesmo período da safra passada e também abaixo da média histórica.
O principal fator responsável pela desaceleração dos trabalhos é o comportamento do clima. Chuvas registradas em importantes polos cafeeiros interromperam temporariamente as operações de campo, dificultando tanto a colheita mecanizada quanto o transporte da produção em diversas regiões produtoras. A umidade excessiva também exige maior cuidado dos produtores para preservar a qualidade dos grãos durante o processo de retirada e secagem.
Entre as principais variedades cultivadas no Brasil, o café conilon, também conhecido como canephora, apresenta o estágio mais avançado de colheita. Em boa parte das regiões produtoras, a retirada dos grãos já se aproxima da fase final, favorecida por um calendário agrícola diferente daquele observado no cultivo do café arábica.
Já a colheita do café arábica, responsável pela maior parcela da produção nacional, avança de forma mais lenta. Além das interrupções provocadas pelas chuvas, produtores enfrentam dificuldades para manter o cronograma inicialmente previsto, o que pode estender os trabalhos nas próximas semanas.
Apesar do atraso registrado em parte do país, especialistas do setor avaliam que ainda é prematuro apontar impactos significativos sobre a oferta nacional ou sobre os preços do café. A expectativa é de que as condições climáticas nas próximas semanas sejam determinantes para definir o ritmo da conclusão da colheita e o volume efetivamente disponível para comercialização.
Enquanto tradicionais estados produtores enfrentam dificuldades operacionais, o Acre continua ampliando sua presença no cenário cafeeiro nacional. Nos últimos anos, o estado tem se destacado pela expansão do cultivo do café robusta amazônico, variedade adaptada às condições climáticas da região e reconhecida pelos elevados índices de produtividade e pela qualidade dos grãos.
O crescimento da cafeicultura acreana é resultado de investimentos em tecnologia, assistência técnica, melhoramento genético das mudas e incentivo aos pequenos produtores rurais, especialmente aqueles ligados à agricultura familiar. A atividade vem ganhando importância econômica em diversos municípios, contribuindo para a geração de renda, fortalecimento das cooperativas e ampliação das oportunidades de comercialização dentro e fora do estado.
Além do aumento da produção, o café produzido no Acre tem conquistado espaço em mercados especializados, impulsionado pela valorização do robusta amazônico e pela adoção de práticas que elevam a qualidade da bebida. O segmento é apontado por entidades do setor como uma das cadeias produtivas com maior potencial de crescimento na economia acreana nos próximos anos.
Mesmo diante do cenário de atraso na colheita nacional, o mercado segue acompanhando a evolução dos trabalhos no campo. O comportamento do clima durante o restante do período de colheita será decisivo para consolidar as estimativas da safra 2026/2027 e orientar as expectativas de produtores, exportadores e compradores em relação à oferta de café nos próximos meses.
