CNA entrega documento da agropecuária para a COP30 e defende papel do setor nas soluções climáticas

Foto: CNA

Foto: CNA

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) apresentou na última terça-feira, 24, o documento “Agropecuária Brasileira na COP30”, que traz as principais propostas do setor para a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, marcada para novembro em Belém (PA). O material defende que a agricultura tropical seja reconhecida como parte da solução global para enfrentar a crise climática.

O presidente da CNA, João Martins, foi direto. “A atividade agropecuária no Brasil, pelas condições climáticas e de solo, tem todas as condições de ser uma grande fornecedora de alimentos para o mundo”. Segundo ele, o setor precisa ser ouvido nas negociações internacionais e não pode ser tratado como vilão. “Não precisamos desmatar nada. A irregularidade é feita pela marginalidade, não pelos produtores rurais regulares”, rebateu.

No documento, a CNA elenca um conjunto de demandas estratégicas que, segundo a entidade, são fundamentais para garantir o futuro da produção rural brasileira em sintonia com a agenda climática. Entre os pontos centrais estão o acesso direto a financiamento climático, com linhas compatíveis com a realidade do campo; o reconhecimento da agricultura tropical, ainda pouco valorizada nas negociações internacionais; a inclusão do produtor rural no mercado de carbono como agente elegível; e a construção de indicadores de adaptação e mitigação ajustados às condições brasileiras.

O texto também defende uma transição justa, que não penalize os agricultores, e cobra monitoramento transparente das ações climáticas em escala global. Além disso, destaca a Amazônia como prioridade, com propostas voltadas para regularização fundiária, produção sustentável e melhorias na logística da região.

COP 30

A COP30 será realizada em Belém, entre 10 e 21 de novembro, e já é chamada de “a COP da Amazônia”. O Brasil terá o desafio de equilibrar pressões internacionais por redução do desmatamento com a defesa da produção rural como vetor de segurança alimentar e energética. Para a CNA, esse é o momento de provar que o campo brasileiro pode ser parte da solução climática global.

Compartilhar