Rio Branco, Acre - quinta-feira, 19 março, 2026

Clima tenso: mototaxistas encurralam vereador e denunciam falta de diálogo em lei aprovada na Câmara

Foto: Reprodução 

O que era para ser mais um ato de manifestação terminou em confronto verbal e clima de tensão na manhã desta terça-feira (17), em frente à Câmara Municipal de Rio Branco. Mototaxistas por aplicativo cercaram o vereador Leôncio Castro (PSDB) e reagiram com gritos de “mentira” enquanto ele tentava defender o projeto de lei que regulamenta a atividade na capital. A principal queixa da categoria é a falta de diálogo: segundo os trabalhadores, a proposta foi construída “de cima para baixo”, sem qualquer escuta real.

No meio do tumulto, Leôncio tentou sustentar que o gabinete sempre esteve aberto. “Todos que me conhecem sabem que o meu gabinete nunca teve porta, sempre esteve à disposição. Se vocês não concordavam com alguma cláusula, poderiam ter me procurado, mas nunca fui procurado. Esse foi o primeiro contato”, afirmou. A fala, no entanto, foi imediatamente interrompida pelos manifestantes, que elevaram o tom e responderam em coro: “mentira”.

A situação se agravou quando o parlamentar disse que o projeto segue legislações federais e exemplos de cidades como São Paulo, além de garantir que a proposta “só traz benefícios” à categoria. A reação foi imediata. Do outro lado, o presidente da Unimaac, Paulo Farias, rebateu com dureza: “A gente é contra essa lei totalmente inconstitucional e vai lutar pelos nossos direitos. Existe uma ação no STF que impede estados e municípios de interferirem até que haja julgamento. Nossos direitos estão sendo violados”.

Mesmo aprovado por unanimidade na Câmara, o projeto segue sendo rejeitado por grande parte dos trabalhadores, que já articulam novos protestos. Uma comissão foi formada para tentar reabrir o diálogo com os vereadores, mas, nas ruas, o sentimento é de desconfiança. Entre os pontos da proposta estão exigências como CNH com atividade remunerada, idade mínima, certidões negativas e cursos obrigatórios — regras que, para a categoria, representam mais barreiras do que garantias.

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