Foto: Carla Carvalho
A elevação do nível do Rio Juruá mantém Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, em estado de alerta máximo e já afeta cerca de seis mil moradores, entre zona urbana e rural. Na manhã desta segunda-feira (2), o rio atingiu 13,49 metros, permanecendo acima da cota de transbordo, fixada em 13 metros.
O avanço das águas ampliou as áreas atingidas no município, que está sob situação de emergência desde janeiro. Apesar do cenário crítico, a Defesa Civil informou que não há registro de famílias desalojadas ou desabrigadas até o momento.
De acordo com o levantamento mais recente, 1.650 famílias sofrem impactos diretos da cheia, enfrentando prejuízos materiais, dificuldades de mobilidade e restrições no acesso a serviços básicos.
Atualmente, 11 bairros já apresentam efeitos diretos da inundação: Remanso, Várzea, Olivença, Miritizal, Beira Rio, Lagoa, Manoel Terças, Cruzeirinho, São Salvador e Saboeiro, na região central. No fim de semana, o número de bairros afetados era oito.
Na zona rural, a situação também se agravou. Pelo menos 12 comunidades registram impactos, entre elas Centrinho, Tapiri, Humaitá do Moa, Praia Grande, Laguinho, Florianópolis, Laguinho do Carvão, Estirão do Remanso, São Luiz, Lago do Sacado, Simpatia e o Ramal do Escondido.
Além do Rio Juruá, outros mananciais da região inspiram preocupação. Os rios Croa, Juruá-Mirim e Valparaíso também transbordaram ou apresentam elevação significativa, atingindo ainda as vilas de Lagoinha, Assis Brasil e Santa Rosa.
O Rio Juruá ultrapassou a cota de transbordo no sábado (31), quando atingiu 13,12 metros, segundo dados da Defesa Civil Municipal. A cheia ocorre após um período de chuvas intensas, que provocaram o aumento simultâneo do nível dos rios da região.
Desde a decretação da emergência, a Defesa Civil intensificou o monitoramento hidrológico, realizou vistorias em áreas de risco e mantém equipes de prontidão para atendimento à população. A prefeitura também mobilizou secretarias municipais para ações preventivas, orientação aos moradores e levantamento de danos.
A última cheia registrada neste ano, em 17 de janeiro, atingiu número semelhante de famílias. Na ocasião, 139 residências ficaram sem energia elétrica, o que comprometeu também o abastecimento de água. O nível do rio voltou à normalidade cinco dias depois.
O decreto de situação de emergência, assinado pelo prefeito Zequinha Lima, classifica o cenário como Situação de Emergência – Nível II, em razão da magnitude dos danos e da limitação da capacidade do município para enfrentar sozinho os impactos da enchente.
O documento autoriza a mobilização integral da estrutura administrativa, a dispensa de licitação para contratações emergenciais e a convocação de voluntários. Também prevê medidas como entrada forçada em imóveis para resgates, uso temporário de propriedades particulares e eventual desapropriação de áreas consideradas de alto risco.
A validade do decreto é de seis meses, podendo ser revista a qualquer momento. A prefeitura informou que já articula apoio dos governos estadual e federal para reforçar as ações de resposta e assistência às famílias atingidas.
