Cesta básica vira termômetro da fragilidade econômica do Acre e expõe ano de fortes oscilações nos preços

Foto: Internet

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A cesta básica em Rio Branco assumiu, ao longo de 2025, o papel de termômetro da vulnerabilidade econômica do Acre. A sequência de altas e quedas bruscas — muito acima do padrão nacional — revelou uma dependência estrutural da importação de alimentos, forte sensibilidade aos custos logísticos e ausência de mecanismos que garantam estabilidade ao consumo das famílias.

Os dados da Fecomércio mostram um cenário de grande volatilidade. Em maio, a cesta custava R$ 694,75. Em junho houve alívio, com recuo para R$ 650,63, seguido por uma disparada em julho que levou o valor a R$ 715,10. Agosto trouxe nova queda, para R$ 676,44, mas setembro voltou a pressionar o orçamento, com o custo avançando para R$ 715,75 — o maior patamar do ano até aquele momento.

O movimento de instabilidade continuou no segundo semestre. Outubro registrou recuo para R$ 665,70, enquanto novembro voltou a subir, alcançando R$ 708,85. Só em dezembro a cesta apresenta uma das quedas mais expressivas do quadrimestre: –6,14% em relação a setembro, passando a custar R$ 671,81 em média. A oscilação entre os meses revela um percurso sinuoso, no qual o consumidor vê, mês após mês, mudanças abruptas no preço dos itens mais básicos.

A explicação está na fragilidade do abastecimento local. O Acre depende de longas cadeias logísticas que passam por Rondônia, Amazonas e regiões mais distantes, sujeitas a bloqueios, variações de frete, problemas climáticos e oferta irregular de produtos. A cada interrupção, os custos chegam rapidamente às prateleiras. A estiagem prolongada, seguida por períodos de cheia e dificuldades de transporte no interior, ampliou ainda mais essas pressões.

Mesmo com a queda acumulada no fim do ano, itens de forte consumo regional seguem pesando no bolso. Feijão-carioca e farinha de mandioca — dois pilares da alimentação acreana — registraram altas contundentes entre novembro e dezembro, 25,08% e 22,53%, respectivamente. Desde setembro, a farinha acumula 24,47% de aumento, enquanto o feijão já ultrapassa 19%. A disparidade entre a queda geral e a realidade desses alimentos essenciais reforça a percepção de que a melhora é limitada e não alcança plenamente a mesa das famílias.

Para a Fecomércio, o comportamento instável indica que a redução da cesta básica não significa, na prática, um cenário de tranquilidade. Segundo o assessor da presidência, Egídio Garó, a dinâmica dos preços reflete um mercado sensível a qualquer mudança. “A queda acumulada é positiva, mas o comportamento de produtos como feijão e farinha mostra que ainda há muita volatilidade. Mesmo com redução geral, nem todos os alimentos acompanham essa tendência”, afirma.

A análise dos últimos meses confirma essa leitura. Entre agosto e novembro, a cesta teve aumento acumulado de 4,79%, mesmo com recuos pontuais em períodos isolados. O gráfico revela um zigue-zague marcado por eventos climáticos, desafios logísticos e oscilações de oferta, compondo um retrato fiel das limitações estruturais que afetam a alimentação no estado.

Embora dezembro tenha trazido algum alívio, as projeções seguem cautelosas. Produtos sensíveis ao clima e ao transporte devem continuar instáveis, mantendo o orçamento das famílias sob pressão.

 

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