Cesário Braga vê no Acre a virada estratégica da Ferrovia Transoceânica

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Foto: Portal Correio Online 

O coordenador estadual do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Cesário Braga, afirmou em entrevista ao podcast Correio em Prosa que o Acre pode ocupar um papel estratégico na integração comercial entre o Brasil e os países do Pacífico, a partir da Ferrovia Transoceânica — projeto que pretende ligar o Atlântico ao Oceano Pacífico atravessando o território amazônico.

Segundo Braga, o estado reúne condições geográficas e logísticas para se tornar um dos principais corredores de exportação da América do Sul, encurtando rotas e reduzindo custos de transporte. Ele destacou que a obra representa mais do que um investimento em infraestrutura: é uma mudança de eixo econômico que pode reposicionar a Amazônia no cenário global.

“O Acre vai estar na beira da estrada de ferro. Isso é extremamente relevante para o Brasil. Estamos falando de atalhar o canal do Panamá em dias e de abrir um novo caminho de integração comercial com a Ásia. O Acre pode ser esse elo logístico entre o Brasil e o Pacífico”, afirmou.

Braga defendeu que o debate sobre a ferrovia deve ir além das disputas políticas regionais e ser tratado como política de Estado, com foco no desenvolvimento de longo prazo. Para ele, a definição do traçado da obra — se passará pelo Alto Acre ou pelo Vale do Juruá — precisa ser conduzida de forma técnica e transparente, priorizando a integração produtiva e o fortalecimento econômico dos municípios.

“A discussão não pode ser sobre quem ganha a estrada. Precisa ser sobre o que o Acre vai ganhar com a estrada. Nós temos que planejar o que vem junto: zonas industriais, novos polos de produção, investimentos em energia, capacitação e acesso ao mercado”, observou.

O coordenador do MDA lembrou ainda que a ferrovia pode estimular a agricultura familiar e o agronegócio local, desde que o estado se prepare para aproveitar as oportunidades logísticas. Ele defendeu a criação de projetos complementares de infraestrutura, como a recuperação de ramais e estradas vicinais, para garantir que os pequenos produtores também sejam beneficiados.

“Se o Acre souber planejar, a Ferrovia Transoceânica pode ser o maior divisor de águas do nosso século. É a chance de transformar isolamento em conexão e distância em oportunidade”, concluiu.

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