Presidente do PT questiona condução concentrada na candidatura majoritária e diz que divisão comprometeu chances de eleger representantes
O presidente do PT no Acre, Cesário Braga, colocou a condução da campanha no centro de sua avaliação sobre as derrotas da esquerda no primeiro turno. Em entrevista ao podcast Correio em Prosa, com a jornalista Marcela Jansen, do Portal Correio OnLine, ele afirmou que a estratégia ficou sob responsabilidade da candidatura majoritária e contribuiu para o resultado negativo do conjunto de candidaturas.
“A condução foi dada exclusivamente pelo nosso candidato majoritário”, declarou. Na sequência, relacionou as escolhas da campanha ao que classificou como “desastre eleitoral”.
A crítica de Cesário envolve a concentração das decisões e a falta de uma atuação conjunta entre os grupos da esquerda. Para ele, o campo político entrou dividido na eleição e desperdiçou a possibilidade de somar forças nas disputas pelo governo, Senado e Legislativo. “Nós saímos fracionados”, afirmou. “Podíamos estar juntos.”
Ao tratar das candidaturas ao Senado, o dirigente lembrou que havia chapas distintas. Na avaliação dele, a separação fez com que grupos que poderiam trabalhar por um projeto comum empregassem suas estruturas e sua militância em caminhos diferentes.
Cesário sustentou que uma composição mais ampla poderia ter melhorado o desempenho eleitoral da esquerda, inclusive nas disputas para deputado federal e estadual. “Podíamos ter eleito dois ou três estaduais. E poderíamos ter eleito o nosso senador.”
O presidente petista também questionou a liberdade de participação durante a campanha. Ao defender outra forma de organização, criticou o modelo em que um comando determina quem pode estar ao lado dos candidatos e quais iniciativas podem ser realizadas.
“Uma campanha que tem dono, que tu quer saber o que pode fazer ou o que não pode, que tu limita, que tu diz quem pode estar do teu lado e quem não pode”, disse, ao descrever os obstáculos à mobilização.
Embora tenha apontado possibilidades de um resultado diferente, Cesário reconheceu os limites de uma análise feita depois da votação. “Eu sei que é fácil demais fazer a avaliação do que já passou.”
O balanço deverá ser levado à discussão interna do PT. Segundo o dirigente, o partido fará uma plenária para avaliar o processo eleitoral e os próximos passos. “Nós vamos parar, pensar, avaliar.”
